Tensão predomina e dólar chega a R$ 2,7440

O mercado financeiro volta a dar sinais de tensão nesta manhã. O cenário de incertezas para a economia brasileira, fundamentado na sucessão presidencial e alimentado agora pelas dificuldades do Banco Central na administração da dívida, deve prosseguir nos próximos meses, pelos menos até as eleições. A tendência para o dia todo é indefinida. Hoje pela manhã, o risco Brasil já bateu em 1.272 pontos.Há pouco, o dólar comercial estava sendo cotado a R$ 2,7300, com alta de 0,23% em relação aos últimos negócios de ontem, mas chegou atingir a máxima de R$ 2,7440. No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003, negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), pagam taxas de 21,400% ao ano, frente a 20,450% ao ano negociados ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em alta de 0,35%.A tendência geral é negativa, mas se descarta a hipóteses de momentos de alívio, motivados por recuperações técnicas ou uma ou outra notícia que seja considerada positiva. O Índice de Preços do Consumidor Amplo (IPCA) de maio, divulgado há pouco, veio no piso das expectativas, fechando maio em 0,21%. Numa situação normal, o índice reforçaria a aposta de queda da taxa de juros referencial da economia, a Selic, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Mas o fato é que as apostas no corte da Selic esfriaram bastante nos últimos dias. A disparada do dólar piora as expectativas inflacionárias e vale lembrar que o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) divulgado na segunda já veio acima do esperado pelo mercado, embora o índice ainda não tenha captado um câmbio tão elevado quando a taxa acima de R$ 2,70 verificada ontem. "Se o dólar continuar subindo e o Banco Central mantiver a linha das reuniões anteriores do Copom, a Selic não poderá cair", comentou um operador ouvido pela AE. Ainda que os indicadores continuem positivos como o IPCA já divulgado hoje, operadores acham difícil que a volatilidade do mercado seja totalmente domada. Ontem, o BC vendeu LTN com vencimento antes da eleição. Pagou juro um pouco maior do que o consenso do mercado (taxa média de 18,90%, ante os 18,7%/18,8% esperados), mas, ainda assim, uma parte dos títulos não foi vendida. Hoje, o BC volta a encurtar o prazo de suas operações. A rolagem de papéis cambiais envolve títulos de prazo curto (18/12/2002) como querem os investidores. Trata-se de uma tentativa de passar tranqüilidade ao mercado de câmbio que ontem operou tenso, levando a cotação do dólar à vista a mais um recorde no ano. A alta acumulada no final do dia ficou em 2,88%, com o dólar valendo R$ 2,712Mas, mesmo que o mercado melhore um pouco hoje com esta operação, operadores consideram que a pressão tende a voltar, exigindo outras ações. Comentam-se possíveis atuações do BC no mercado à vista, em leilões extra de papéis cambiais e em apoios do FMI (pronunciamentos ou desembolso de dinheiro).

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