Tensões políticas não vão tirar economia da rota, diz Palocci

O governo decidiu valer-se dos resultados obtidos pela sua política econômica como arma contra a transformação da CPI dos Correios em um palanque eleitoral - e também como ferramenta de seus próprios projetos para a corrida presidencial de 2006. É o que ficou claro hoje nas afirmações do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, à imprensa, poucas horas depois do discurso de seu chefe."Tenho certeza que, na atuação parlamentar, há cuidado da base para evitar que a CPI se transforme em um palanque eleitoral. O governo está zelando por isso porque prejudicaria o País", afirmou o ministro. "Eventuais conflitos políticos são reais, temos de admiti-los e dialogar com essa perspectiva. Não vão tirar o Brasil de uma rota muito forte, muito certeira e muito segura de crescimento e de estabilidade econômica", reiterou.Palocci ressaltou que, apesar da tensão política da semana, observou-se "uma grande normalidade" no campo econômico, com evolução positiva da taxa de risco País e nenhuma alteração na taxa de câmbio. Enfatizou ainda que esse comportamento não significa que a economia é alheia aos conflitos políticos, mas que os fundamentos macroeconômicos "estão bastante sólidos". O governo, acrescentou, encarou com seriedade a denúncia de corrupção, abriu uma sindicância para apurar um assunto que ocorreu no terceiro escalão da ECT, e demitiu pessoas envolvidas. Liberação de recursosCuidadoso ao dizer aos jornalistas que falaria sobre o comportamento do PT na aprovação da CPI como ministro do governo, e não como petista, Palocci afirmou que não havia recebido "nenhuma orientação para vincular o Tesouro Nacional ao embate do governo no Congresso". "Em nenhum momento se vinculou a liberação de recursos a qualquer processo político, mas às demandas dos ministérios. Eu digo isso porque é minha área. Se houvesse qualquer movimento no Tesouro, eu saberia", declarou.Palocci ainda afirmou que não acredita que a tramitação no Congresso do pacote de desoneração tributária, que será consolidado na chamada MP do Bem, venha a ser paralisada pela CPI, que mais uma vez atestou a incapacidade do governo atuar em favor de seus próprios interesses no Parlamento.O ministro afirmou que, "apesar do calor dessa discussão política", o Congresso tem maturidade para não paralisar a aprovação de um projeto vinculado ao crescimento do País. "Não é razoável pensar que nosso processo político seja tão frágil que os parlamentares não saberão colocar as questões no devido lugar", afirmou. "Tudo o que está acontecendo é o normal da Democracia. Cada coisa terá o seu debate, às vezes é acalorado." Meta de inflação 2006 Segundo Antônio Palocci, não há nenhuma possibilidade de o Conselho Monetário Nacional (CMN) rever a meta inflacionária estabelecida para 2006, que é de 4,5%. "Em junho o CMN vai definir a meta para 2007, a de 2006 não está em discussão", afirmou Palocci. Ele explicou que o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, havia sugerido que as questões relacionadas com inflação sejam debatidas mais amplamente. "Por isso, coloquei-me a disposição da Fiesp para discutir o assunto e farei o mesmo com outras entidades que quiserem dialogar com o Ministério da Fazenda, estamos abertos a isso. As metas não são do Ministério, são do País."Gastos da PrevidênciaO ministro da Fazenda, ao ser indagado sobre o superávit primário de 5,02% do PIB obtido pelo governo central em abril, que ficou acima das expectativas do mercado, disse que a redução nos gastos da Previdência já começou a surtir efeitos positivos para a economia brasileira. "A queda na curva de gastos da Previdência já está acontecendo e vai render frutos positivos para o País no curto prazo", afirmou.Segundo ele, a economia na Previdência poderá abrir espaço para três ações que podem ser adotadas pelo governo: fortalecimento na poupança doméstica (elevação do superávit primário), aumento dos investimentos em infra-estrutura e redução de impostos. "Ou seja, a queda nos gastos da Previdência nos abre um leque de ações positivas para o País", disse Palocci.

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