Amanda Perobelli/Estadão - 4/12/2017
Amanda Perobelli/Estadão - 4/12/2017

Tentativa de acordo entre sócios da BRF chega ao fim

Diante de impasse, fundo Aberdeen pediu que eleição do conselho seja feita por voto não em chapa única, mas em cada candidato

Renata Agostini  e Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

13 Abril 2018 | 00h46

Um movimento da britânica Aberdeen, que possui 5% da BRF, enterrou de vez qualquer tentativa de acordo entre os principais acionistas da companhia de alimentos sobre os nomes que comporão o conselho de administração da empresa. 

A gestora enviou à BRF pedido para que seja usado na eleição do novo colegiado, que ocorrerá no dia 26 de abril, o chamado “voto múltiplo”. Assim, os acionistas votarão individualmente nos nomes dos candidatos às vagas e não numa chapa única, como ocorrera nas últimas eleições para o conselho da BRF.

A Aberdeen colocou-se publicamente ao lado dos fundos de pensão da Petrobrás (Petros) e do Banco do Brasil (Previ) desde que eles deflagraram uma disputa societária com Abilio Diniz no final de fevereiro ao pedir a destituição do conselho liderado pelo empresário.

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Os fundos e Abilio, que tinha apoio da gestora brasileira Tarpon, negociaram por semanas um acerto que viabilizasse a formação de uma só chapa, mas um impasse sobre a lista de nomes havia travado as conversas entre os dois lados. 

A Previ insistia que o melhor caminho era a via negocial. Mas a Petros já sinalizava que não cederia às exigências do empresário e que o caminho do voto múltiplo era, portanto, o mais apropriado.

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O pedido da Aberdeen forçou a solução de escolha do colegiado no voto. O mecanismo de voto múltiplo está previsto na Lei das SAs. O dispositivo foi criado para permitir que investidores minoritários possam pleitear assentos no conselho de administração.

No caso da BRF, não há grupo controlador. O capital da empresa está disperso na Bolsa. Previ e Petros são os maiores acionistas, com cerca de 11% cada. Depois, vêm Tarpon (8,5%), Aberdeen (5%) e Abilio Diniz (cerca de 4% via Península Participações). 

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Incerteza. No voto múltiplo, cada ação detida pelos investidores presentes na assembleia é multiplicada pelo número de assentos previstos no conselho. Os acionistas então têm de optar por distribuir esses votos nos nomes para o conselho ou concentrar os votos num único candidato, aumentando as chances de que ele seja eleito.

Na avaliação de um importante acionista, a incerteza sobre um acordo e a recusa pública de executivos de participarem da chapa patrocinada por Abilio levaram ao pedido de voto múltiplo. A tendência é que uma chapa mista, com nomes dos principais envolvidos, seja formada ao final.

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O problema, nota outro executivo envolvido na disputa, é que há grande chance de o conselho da BRF seguir “rachado” caso esse cenário se confirme.

Procurados, Aberdeen, BRF, Petros, Previ, Península Participações e Tarpon não comentaram.

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