Tentativa do governo de comprar feijão para estoque fracassa

Produtores e cooperativas não mostraram interesse em adquirir contratos de opção de venda ofertados

Fabíola Salvador, da Agência Estado,

04 de julho de 2008 | 17h17

Foi frustrada a primeira tentativa do governo de comprar grãos no mercado interno para recompor os estoques públicos, uma das prioridades do Plano de Safra 2008/09. Em leilão realizado na última quinta-feira, 3, produtores de feijão e cooperativas de Minas Gerais, Goiás e São Paulo não tiveram interesse em adquirir contratos para entrega futura do produto à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No total, foram ofertados 1.852 contratos de opção de venda pelo preço de R$ 40,5 mil por cada contrato de 27 toneladas. Numa operação como essa, o governo oferece em leilão um contrato que permite ao produtor ou cooperativa vender, por um preço já estabelecido, um determinado produto ao governo numa data previamente combinada. No caso do feijão, o preço de venda foi estabelecido em R$ 90 por saca de 60 quilos para entrega em 15 de agosto deste ano - data limite para o arrematante manifestar seu interesse em vender o produto.  Foi o valor de venda que afugentou os vendedores do leilão, avaliou uma fonte em Brasília. "O preço de mercado está muito acima do oferecido pelo governo e a expectativa é que as cotações continuem assim nas próximas semanas", afirmou.  Nesta semana, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse que pode haver uma queda nos preços do feijão em até 180 dias. Segundo ele, os preços podem recuar porque a produção deve aumentar devido às medidas de estímulo à produção anunciadas nesta semana em Curitiba, no Paraná.  A principal medida foi a correção de 65% no preço mínimo de garantia. De acordo com o ministro, a resposta - ou seja, a queda de preços - só não será mais rápida porque o sistema de produção de feijão no inverno depende da irrigação e não há grande quantidade de equipamentos no País.  Nos últimos dias, a saca de 60 quilos de feijão tem sido vendida a preços entre R$ 140 e R$ 200, dependendo da região do País. Em São Paulo, onde o governo tentou comprar produto no leilão desta semana, os preços oscilam entre R$ 168 e R$ 195 por saca. No Paraná, o feijão é negociado por valores entre R$ 155 e R$ 170 por saca de 60 quilos.  Mesmo com o resultado negativo, o governo não vai reajustar o preço de compra. "Não há previsão de um novo leilão para compra de feijão. Vamos esperar um pouco para lançar um novo edital. Vamos observar as condições do mercado", comentou uma fonte da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).  A meta do governo é quadruplicar os estoques públicos de grãos em 2009, principalmente com a compra no período de colheita, quando os preços tendem a recuar. A proposta é de que os estoques passem de 1,5 milhão de toneladas em 2008 para 6 milhões de toneladas no ano que vem.

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