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Teoria é lição para o País, diz professor da FGV

O uso de políticas pró-competição para beneficiar a sociedade como um todo, levando a preços mais baixos nas tarifas de serviços de infraestrutura sob regulação, como telefonia e energia elétrica, é a principal lição, para o Brasil, da teoria do economista francês Jean Tirole, laureado ontem com o Prêmio Nobel de Economia 2014, pela Academia Real Sueca de Ciências.

VINICIUS NEDER / RIO, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2014 | 02h03

A avaliação é do economista e estatístico Aloisio Araujo, pesquisador e professor do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e da Escola Brasileia de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas (EPGE/FGV), amigo de Tirole.

"Na Austrália, quem faz políticas pró-competição é uma pessoa pública. Aqui, há pouco debate", disse Araujo, lamentando que temas microeconômicos, como o incentivo à competição entre empresas, fiquem de fora do debate da campanha eleitoral, dominado pelas questões da inflação e do crescimento.

A principal obra de Tirole, em coautoria com o também francês Jean-Jacques Laffont, surgiu em 1986, em pesquisas sobre a regulação de mercados com tendência ao monopólio e a presença de grandes empresas, como no caso do setor de infraestrutura.

Segundo Araujo, as teorias de Tirole e Laffont influenciaram bastante a regulação da infraestrutura na Inglaterra dos anos 1980, após a onda de privatizações do governo de Margaret Thatcher. Dessa forma, tiveram influência indireta nas privatizações e regulação dos setores de infraestrutura no Brasil, nos anos 90.

"Avançamos alguma coisa, mas falta bastante", afirmou o brasileiro, citando o setor de telefonia como exemplo. "Estamos vendo uma redução no número de empresas, em vez de aumento da competição", completou Araujo, que se encontrou com Tirole pela última vez em julho, na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

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