Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Ter carro novo custa R$ 14 mil ao ano

Cálculo leva em conta que veículo é pouco usado; aluguel e compartilhamento são alternativas

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2011 | 00h00

Manter um carro novo e pouco utilizado custa, em média, R$ 14 mil por ano no Brasil, segundo cálculo do professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Samy Dana. Há alternativas, no entanto, que podem ajudar o motorista a reduzir os gastos. O aluguel - combinado com o uso de transporte público - e o compartilhamento de carros, serviço já disponível em São Paulo, são opções para melhorar o orçamento pessoal.

Especialistas alertam que, no longo prazo, alugar um carro todos os dias não é vantajoso, porque o custo anual seria superior ao de manter um veículo sem uso na garagem. No entanto, ao unir o aluguel de veículos com o transporte público (metrô ou ônibus), a economia chegaria a R$ 3 mil, já que o custo anual dessa combinação ficaria em R$ 11 mil.

"É uma opção vantajosa, apesar de sabermos que o conforto não é o mesmo", diz Dana. Na avaliação de Mauro Calil, especialista em finanças pessoais, para as famílias tradicionais - um casal com dois filhos pequenos -, a necessidade de um segundo carro pode ser questionada em 80% dos casos. "E o terceiro carro, quase ninguém, nesse cenário, precisa ter", diz. Para ele, porém, não é vantajoso abrir mão do primeiro carro. "É o tipo do gasto que é necessário numa emergência."

Para Calil, uma rotina sem veículo próprio só poderia ser encarada por aqueles que são solteiros e conseguem utilizar o transporte público com muita facilidade. "Uma pessoa que vive para cima e para baixo, mas é solteira, tem mais flexibilidade. Conforme a família vai se formando, as coisas vão ficando mais amarradas", argumenta.

Na urgência, um táxi. Casado e sem filhos, o fotógrafo Leonardo Costa Tostes optou pelo aluguel de carros no ano passado, quando decidiu vender o seu veículo. Enquanto escolhia um novo modelo nas agências de Belo Horizonte, onde mora, fez as contas e percebeu que, se fosse a pé ao trabalho e alugasse um carro, a economia seria de R$ 3 mil por ano. "Moro muito perto do centro da cidade e, se tenho muita urgência, uso táxi", diz. "Não pretendo comprar um veículo novo tão cedo. "

Além da economia, o diretor executivo da Yes Rent a Car, Raimundo Teixeira, acredita que os motoristas estão pensando na comodidade ao optar pelo aluguel de veículos. "Alguns motoristas desejam ter mais liberdade e não querem ficar preocupados em pagar IPVA, por exemplo", diz.

De acordo com Teixeira, o mercado de aluguel de carros é crescente, principalmente com o aumento do poder aquisitivo não só da classe C, mas também da classe B. "O que o brasileiro ainda tem é muita vontade de possuir um carro", completa Teixeira.

Compartilhamento. Além do aluguel, outra opção econômica pode ser o compartilhamento de carro. Em São Paulo, o serviço é oferecido desde julho de 2009 pela Zazcar, única empresa da América Latina a oferecer esse tipo de transporte. São 20 "pods" (espécie de bolsões onde estão os carros para serem alugados) instalados nas principais regiões da cidade, como Paulista, Berrini, Vila Olímpia, Moema e Higienópolis.

Ao todo, há 22 carros disponíveis para fazer os percursos entre os "pods". Até o fim do ano, mais 40 veículos poderão ser usados pelos usuários do compartilhamento.

No site da empresa (www.zazcar.com.br) também é possível fazer o cálculo referente ao compartilhamento de carros e descobrir se a opção é vantajosa.

O valor da hora inicial de serviço é de R$ 6,90 e o quilômetro rodado custa 0,53. "Queremos ser uma solução para as situações em que o aluguel de carro não compensa, como para trafegar em distâncias curtas", afirma Felipe Barroso, sócio-fundador da Zazcar. "Esse tipo de serviço pode ser complementar a outros tipos de transportes", afirma. Até o início deste mês, o serviço já tinha 400 clientes cadastrados.

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