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Valéria Gonçalvez/Estadão
Valéria Gonçalvez/Estadão

Terceira geração tenta dar ‘banho de marketing’ na Letti

Uma das líderes em produção de leite, empresa da família Jank quer relação mais direta com o cliente

Fernando Scheller, O Estado de S. Paulo

23 de julho de 2018 | 05h00

Fundada há mais de 70 anos, a fazenda do interior de São Paulo da qual saem os produtos que levam a marca Letti está prestes a dar os primeiros passos para deixar de ser principalmente uma fornecedora de leite a granel para entrar em um segmento que é considerado butique no setor de laticínios: a venda no varejo de leite fresco e de origem garantida. Tudo graças à terceira geração da família, que está chegando agora ao negócio.

As irmãs Taís e Diana Jank, de 26 e 23 anos, deverão lançar no mês de agosto a primeira fase de um projeto para dar um “banho de marketing” no negócio familiar. Hoje, a venda de leite cru a terceiros da fazenda Agrindus, no município de Descalvado, a cerca de 260 km da capital paulista, domina mais dois terços dos 60 mil litros de leite ao dia produzidos na propriedade.

As irmãs, depois de experimentarem a vida profissional fora do negócio familiar – Taís é advogada e Diana, publicitária – vão começar a trabalhar para mudar essa realidade. O primeiro passo, contam, será resgatar o incentivo ao consumo de leite fresco, de qualidade, com o selo da fazenda dos Jank. Para isso, lançarão no mês que vem um site de e-commerce para derivados de laticínios, que será batizado Mania de Leite. “É o nosso primeiro passo, a primeira fase do projeto. Pensamos como uma startup, mas vamos dar um passo de cada vez”, define Taís.

O Mania de Leite vai distribuir os produtos Letti – leite fresco, iogurtes, creme de leite e queijo – com foco inicial na cidade de São Paulo. A ideia das empreendedoras é que cada consumidor defina uma periodicidade para o recebimento dos produtos, que chegarão na data combinada. “É um site para quem gosta de leite e para quem quer saber a origem do produto que está tomando”, explica Diana.

Filhas do pecuarista Roberto Jank, que continua a participar do negócio, as herdeiras têm outros projetos na manga. Um deles é a mudança da embalagem e do rótulo de todos os produtos. Como o orçamento da “virada” da Letti é limitado, isso será feito em um segundo momento. Diana, porém, já decidiu usar a garrafa plástica como um instrumento de marketing. “A nova garrafa pet será transparente, porque queremos mostrar o produto”, conta. “E todos os itens – garrafa, tampa e rótulo – serão 100% recicláveis.”

Entraves. Na opinião do consultor do setor de alimentos e bebidas Adalberto Viviani, no entanto, a opção pelo e-commerce tem mais chance de dar certo do ponto de vista de marketing, para que o produto possa fazer frente às suas principais concorrentes atuais, a Da Fazenda e a Xandô, do que de negócio. Ele lembra que um movimento de entrega de leite em casa – capitaneado pela indústria de embalagens de vidro – não conseguiu ir adiante. 

De acordo com Viviani, a dificuldade de vender este tipo de produto de porta em porta é algo difícil de se levar a cabo em São Paulo. “Como as pessoas geralmente moram em edifícios, o entregador tem de vencer a portaria e depois ser atendido pelo morador”, explica Viviani. “Muitas vezes, o morador chega sempre de carro e nem passa pela portaria social. Então, o produto corre o risco de ser esquecido por quem comprou.”

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