Terceirizados da Eletropaulo prometem greve de 24 horas

Cerca de 4 mil trabalhadores terceirizados da AES Eletropaulo prometem entrar em greve amanhã por 24 horas em busca de melhores condições de trabalho. A paralisação envolve os funcionários de sete empreiteiras, que executam serviços como manutenção e ampliação da rede de energia, além de atendimento aos consumidores nos serviços de corte, religação e ligação nova. "Os trabalhadores estão em dificuldades porque não possuem benefícios nem recebem hora extra", explicou o presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, Carlos Reis.

WELLINGTON BAHNEMANN, Agencia Estado

08 de setembro de 2009 | 18h54

Segundo Reis, os trabalhadores terceirizados reclamam do fato de que os salários praticados pelas empreiteiras são inferiores aos da AES Eletropaulo. "O piso salarial para o eletricista da companhia é de R$ 1.050. Já o terceirizado, na mesma função, recebe das empreiteiras R$ 650", disse. Inicialmente, a greve terá duração de 24 horas. Conforme o ritmo das negociações, o sindicato poderá promover uma paralisação de 48 horas, a partir de 22 de setembro, e de 72 horas, a partir de 1º de outubro. "A greve será analisada diante das propostas", afirmou.

Reis disse que as empreiteiras alegam que a AES Eletropaulo não cumpre os termos dos contratos, o que reduziu o faturamento dessas empresas. "As empreiteiras dizem que a mudança no sistema comercial provocou aumento de custos que não foram compensados pela AES Eletropaulo", afirmou. O sindicalista contou, por sua vez, que a distribuidora argumenta estar seguindo integralmente os termos dos contratos com as empreiteiras.

Em nota, a AES Eletropaulo disse que mantém um "relacionamento comercial" com as empreiteiras e que todos os "contratos são firmados seguindo a legislação trabalhista vigente". A companhia ainda informou que, "para assegurar o cumprimento da lei e garantir o correto atendimento aos clientes, a AES Eletropaulo fiscaliza as empresas-parceiras" e que a concessionária "não pode interferir nas relações trabalhistas das empreiteiras e seus empregados".

Reis disse que nenhum trabalhador terceirizado ficará de plantão na AES Eletropaulo para executar as funções afetadas pela paralisação. "Se é terceirizado, trata-se de um trabalho não essencial. Por isso, não há nenhuma obrigação legal em manter um quórum mínimo de trabalhadores terceirizados para executar essas tarefas", explicou o sindicalista.

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