Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

‘Teremos de mudar toda nossa vida’

Elaine, na fábrica há sete anos, recebeu o telegrama

O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2016 | 05h00

 

Na terça-feira da semana passada, o temido telegrama da Mercedes-Benz chegou à casa de Elaine Cristina Feitosa. O aviso pede para ela comparecer à fábrica na sexta-feira para fazer a rescisão de contrato.

Elaine conta que se desesperou ao pensar nas parcelas que ainda faltam para pagar do financiamento do apartamento adquirido com o marido, Anselmo Francisco do Prado, também funcionário da montadora.

“Só pagamos dois anos de prestação de um financiamento de 30 anos”, diz ela, acrescentando que, sem sua parte para compor a renda, não vai dar para manter as parcelas do empréstimo bancário para a compra do imóvel. “Talvez a gente tenha de vender”, lamenta o marido, porque para bancar a conta será necessário mais da metade do seu salário.

Elaine tem 33 anos e trabalha na Mercedes há sete, no setor de pré-montagem. Está em licença remunerada desde fevereiro, com outros 1,4 mil trabalhadores.

Nesse período, dispensou os serviços de uma pessoa que tomava conta dos filhos de 1 e 3 anos e conseguiu economizar um pouco.

Prado também tem 33 anos e trabalha na área de logística há nove anos. “Tenho medo de perder meu emprego também, pois a empresa só fala de excedente, excedente”, diz. “Se isso ocorrer, teremos de mudar toda nossa vida.”

Bicos. Quem também está preocupado com o financiamento do apartamento adquirido em Santo André, no Grande ABC, é Ed Carlos, de 33 anos, que está há sete na Mercedes. Ele trabalha na área de pintura e recebeu o telegrama de demissão. A prestação do imóvel é de R$ 1,2 mil por mês. “Não sei o que fazer.” A mulher não trabalha para cuidar do filho de 5 anos, que é especial. Ele está em licença remunerada desde fevereiro e, nesse período, conseguiu fazer alguns bicos.

Luciano da Silva, de 39 anos, é outro funcionário da pintura que recebeu a carta há uma semana. O setor será transferido para a fábrica da Mercedes em Juiz de Fora (MG). “Graças a Deus que minha mulher tem emprego, de analista de sistema”, diz Silva, que torce para que as negociações da montadora com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC deem bons resultados “para que todos consigam se manter na empresa”.

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