Adriano Machado/Reuters - 25/10/2021
'A verdade é que teremos gasto um pouco maior em 2022', admitiu Guedes em cerimônia.  Adriano Machado/Reuters - 25/10/2021

Teremos gasto um pouco maior com Auxílio Brasil, de R$ 30 bilhões e pouco, diz Guedes

Ministro voltou a argumentar que governo de Bolsonaro não é populista, mas sim popular; arranjo para novo programa resultou na debandada de parte de sua equipe

Eduardo Rodrigues e Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2021 | 18h34

BRASÍLIA - O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a minimizar nesta segunda-feira, 25, o gasto adicional em 2022 com o Auxílio Brasil, após as manobras para alterar o teto de gastos que culminaram com os pedidos de exoneração de parte da sua equipe.

“Seja com pedido de extrateto, seja com revisão (do teto), a verdade é que teremos gasto um pouco maior em 2022. Estamos falando de R$ 30 bilhões e pouco. Mas, para um País que arrecadou R$ 300 bilhões a mais, R$ 30 bilhões é 10%”, afirmou, em cerimônia de lançamento do Plano Nacional de Crescimento Verde, no Palácio do Planalto.

Mais uma vez, ele argumentou que o governo de Jair Bolsonaro não é populista, mas sim popular, que segue apoiando as reformas. “Embora muita gente em volta queira às vezes desviálo do caminho das reformas, que quer desviar o presidente das reformas”, ironizou.

Guedes lembrou que o déficit primário, que era em torno de 2% do PIB quando o governo começou, caiu para 1% do PIB no primeiro ano do governo, subiu para 10% na pandemia e voltaria para 0,5% em 2022. “Íamos tirar 10 em política fiscal e zero em sensibilidade social”, argumentou.

Enquanto algumas casas do mercado já projetam uma nova recessão para o Brasil em 2022, Guedes voltou a garantir crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano. “Estamos no caminho da prosperidade, vamos crescer no ano que vem de novo. Cada um vai fazer o seu trabalho. Temos um Banco Central independente que vai ficar de olho na inflação.

Estamos de olho na política fiscal também. Nossa arrecadação já passou dos R$ 300 bilhões acima do previsto. Isso não é sinal para sair gastando não, é um sinal para mostrar a determinação do presidente Bolsonaro em ajudar os mais frágeis”, completou.

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Guedes defende privatização da Petrobras e diz que estatal não valerá mais nada em 30 anos

Segundo o ministro, é preciso tirar o petróleo o mais rápido possível para transformar a riqueza em educação, investimentos e tecnologia para a população

Eduardo Rodrigues, Eduardo Gayer, Sofia Aguiar e Matheus de Souza​, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2021 | 19h18

BRASÍLIA - O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a sinalizar, nesta segunda-feira, 25, apoio à privatização da Petrobras, como uma forma de extrair mais rápido o petróleo e gás natural brasileiros. Mais cedo, o presidente Jair Bolsonaro também sinalizou que a possibilidade já esteve no radar do governo.

"O presidente Bolsonaro falou que estudaria o que ia fazer com a Petrobras. Afinal de contas, se estamos com crise hídrica e tivemos escândalo de corrupção, são 30 a 40 anos de monopólio no setor elétrico e no setor de petróleo. E, se daqui a 10 ou 20 anos, o mundo inteiro migra para hidrogênio e energia nuclear, abandonando o combustível fóssil. A Petrobras vai valer zero daqui a 30 anos. E deixamos o petróleo lá embaixo com uma placa de monopólio estatal em cima", ironizou, em cerimônia de lançamento do Plano Nacional de Crescimento Verde no Palácio do Planalto.

Para Guedes, o objetivo é tirar o petróleo o mais rápido possível para transformar a riqueza em educação, investimentos e tecnologia. "Tem que sair mais rápido. Não adianta ficar uma placa dizendo que é estatal e o petróleo não sai do chão. E quando sai, sai com corrupção. Se houve a maior roubalheira da história no 'Petrolão' e agora o preço do petróleo só sobe, o que o povo brasileiro ganha com isso?", questionou.

Ele destacou que as ações da Petrobras subiram 6% após o presidente Jair Bolsonaro dizer que iria estudar meios para privatizar a empresa. "Em mais duas ou três semanas, são R$ 15 bilhões criados. Isso não existia, não é tirar do povo. É uma riqueza que estava destruída, bastou o presidente dizer que ia estudar que o negócio saiu subindo. Não dá para dar R$ 30 bilhões para os mais frágeis (no Auxílio Brasil)?", completou.

Na manhã desta segunda, em entrevista à rádio Caçula FM, do Mato Grosso do Sul, Bolsonaro, que já defendeu por várias vezes a privatização da estatal, afirmou que já tinha colocado sua equipe econômica para estudar o assunto, mas destacou as dificuldades em lidar com o tema: "Não é colocar na prateleira e quem dá mais leva embora.”

Na avaliação de Bolsonaro, privatizar a empresa não dá a garantia de que ela vai crescer. De acordo com o presidente, tirar o monopólio do combustível do Estado abre a possibilidade de os problemas com os combustíveis ficarem na mesma coisa “ou talvez pior”.

Gasolina e diesel mais caros

O chefe do Executivo voltou a falar hoje sobre os preços dos combustíveis após afirmar, na semana passada, que o País estava "na iminência de mais um reajuste”. “Vem reajuste de combustível? Vem. Queria que não viesse”, pontuou. Hoje, porém, ele disse que o aumento é uma “realidade” e, assim, “temos que enfrentar”.

Nesta segunda, a Petrobras confirmou a afirmação do presidente ao anunciar um reajuste de 9,2% no preço do óleo diesel e de 7% no da gasolina a partir desta terça.  O preço médio de venda da gasolina A da Petrobras, para as distribuidoras, passará de R$ 2,98 para R$ 3,19 por litro. Já para o diesel, o preço médio de venda da Petrobras, para as distribuidoras, passará de R$ 3,06 para R$ 3,34 por litro.

Bolsonaro voltou a defender a mudança da cobrança do ICMS sobre combustíveis e disse que o aumento dos preços não é culpa do governo federal. “Quanto mais aumenta o combustível, melhor para os governadores. E quem paga a conta é o governo federal”, declarou. Diante do aumento dos preços no País, Bolsonaro destacou que não é “o malvado”. “Não quero aumentar o preço de nada, mas não posso interferir no mercado.”

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