Teresa Grossi critica nervosismo do mercado

A diretora de fiscalização do Banco Central, Tereza Grossi, ao comentar a notícia da concordata da WorldCom e as fraudes registradas em outras empresas no exterior e suas conseqüências no Brasil disse que "o nervosismo no mercado é excessivo". Grossi esteve reunida com dirigentes da ABBI (Associação Brasileira dos Bancos Internacionais). Segundo ela, "não há motivo para pânico com relação ao Brasil", pois o País possui uma Lei de Responsabilidade Fiscal e o sistema bancário brasileiro "está saneado e saudável". Segundo Grossi, a fiscalização (supervisão) bancária no Brasil tem "padrões de Primeiro Mundo". Ela disse também que o Banco Central aguarda os balanços semestrais das instituições para fazer uma avaliação das decisões de classificação de carteiras de fundos de investimento, com a antecipação, de setembro de 2002 para maio, do mecanismo de "marcação a mercado".Grossi reuniu-se com membros da ABBI para debater as exigências para as instituições financeiras se adaptarem ao acordo de Basiléia 2, que deve entrar em vigor em 2002. No modelo atual (Basiléia 1), os bancos seguem requerimentos de padrão internacional independentemente "da qualidade de gestão de riscos". O mínimo de exigência para os bancos em operação no Brasil é uma "reserva" de 11% do capital. Grossi diz que o padrão brasileiro de supervisão bancária é "o melhor da América Latina" e um dos melhores do mundo. Regras para bancosAs alterações sugeridas pela mais recente reunião do Acordo de Basiléia indicam que quanto "melhor o método de gestão de riscos, menor a exigência de capital". As empresas pequenas e médias terão um tratamento diferenciado e poderão receber mais empréstimos se houver uma exigência menor de reservas de capital por parte dos bancos, entende Geraldo Carbone, presidente da ABBI. A diretora do Banco Central diz que as pequenas e médias empresas terão um tratamento privilegiado, pois se quer desestimular a concentração na carteira de empréstimos. Grossi diz que há uma tendência de que os bancos deixem de seguir o padrão geral e busquem modelos próprios de gestão de riscos, que serão homologados pelo Banco Central. Ao final de 2003, o novo acordo da Basiléia deverá ser publicado e a expectativa é de que em dezembro de 2006 esteja vigorando. A diretora disse também que a tendência é de que o risco operacional deixe de ser utilizado para efeito de cálculo de capital. "A regra básica é de que o capital necessário para o banco funcionar será proporcional ao risco", disse Grossi. Perguntado se o índice atual de exigência de 11% de capital garantido não seria elevado para o mínimo mundial de 8%, Grossi diz que essa preocupação das autoridades brasileiras, de maior rigor na fiscalização dos bancos, tornou-se "no momento atual, bastante importante, pois os bancos nacionais são percebidos como capitalizados". Ela lembra que a agência de gestão de riscos Fitch manteve a nota dos bancos brasileiros, ressaltando a supervisão bancária do Banco Central do Brasil. A diretora afirmou também que os bancos estrangeiros, na nova legislação, continuarão tendo tratamento igualitário com as instituições nacionais. Carbone diz que as regras da Basiléia 2 incentivam os bancos a melhorarem seus sistemas de controle de risco e têm, como "subproduto", o benefício da instituição financeira operar com necessidade de menor volume de capital. Carbone afirmou, também, que as novas regras tendem a liberar mais capital das instituições para empréstimos. Ele observou também que haverá necessidade de criação de um Fórum Internacional para eventuais impasses. Carbone, que é presidente da ABBI e do BankBoston, disse que um modelo próprio de gestão de risco pode ser aceito nos Estados Unidos e não no Brasil. Ele acredita que os modelos deverão ser mais rigorosos em países com estruturas institucionais que dificultam o exercício de garantias de empréstimos, ou mesmo com "maior nível de informalidade".

Agencia Estado,

22 de julho de 2002 | 18h14

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