Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Tereza Cristina defende facilitação de acesso a crédito para mulheres no campo

A ministra destacou que as mulheres possuem menos acesso à crédito financeiro e cooperativismo, o que representa um potencial econômico perdido

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2020 | 18h12

BRASÍLIA — Ao lançar uma campanha do governo federal por igualdade para as trabalhadoras do campo, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou que "está passada a hora de as mulheres terem os seus direitos reconhecidos". Ela destacou que as mulheres possuem menos acesso à crédito financeiro e cooperativismo, o que representa um potencial econômico perdido, chamando a atenção do ministro da Economia, Paulo Guedes. O presidente Jair Bolsonaro também participou da cerimônia, mas não discursou. 

A campanha 'Mulheres Rurais, mulheres com direitos', de acordo com o Ministério da Agricultura, busca dar visibilidade às mulheres rurais, indígenas e afrodescendentes que vivem e trabalham em um contexto de desigualdades estruturais e desafios sociais, econômicos e ambientais.

"Está passada a hora de as mulheres terem os seus direitos reconhecidos, e principalmente as mulheres do campo, aquelas que são mais vulneráveis", disse Tereza Cristina. "Neste mundo ainda tão masculino, precisamos cada vez mais evidenciar e fortalecer o papel das mulheres do campo na transformação da nossa sociedade", reforçou.

A ministra destacou, ainda, que as mulheres rurais têm menos acesso a crédito financeiro, tecnologia, mecanização, assistência técnica e cooperativismo. "Isso representa um potencial econômico perdido, ministro Paulo Guedes, por isso é tão importante essas linhas de crédito para possibilitar a melhoria de vida dessas mulheres. Empoderar as mulheres rurais, portanto, é promover o crescimento e a produtividade da agricultura", defendeu.

Tereza também falou sobre a questão da política ambiental, criticada no Brasil e no exterior, ao dizer que "a busca da sustentabilidade tem sido o nosso caminho na agropecuária". "Sabemos que a preservação ambiental e a produção de alimentos são complementares, podem e devem andar juntas", declarou.

A campanha lançada nesta quarta é uma iniciativa promovida pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), com a colaboração de entidades governamentais, organizações da sociedade civil e empresas privadas de toda a América Latina que buscam "reconhecer a liderança, as capacidades e as necessidades das mulheres rurais, indígenas e afrodescendentes da região".

Dados da FAO indicam que atualmente 60 milhões de mulheres vivem em zonas rurais da América Latina e do Caribe e parte delas têm papel central na produção e abastecimento de alimentos. No entanto, muitas delas enfrentam sérias limitações para acessar recursos produtivos, como terra, água, insumos agrícolas, financiamento, seguro e treinamento, além de várias barreiras para colocar seus produtos no mercado.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 19% das propriedades rurais no Brasil são dirigidas por mulheres. Dos 5 milhões desses estabelecimentos, quase 1 milhão conta com mulheres no comando. Os dados são do Censo Agropecuário de 2017.

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