Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Encontro não elimina risco de retaliação, diz Câmara Árabe

O presidente Jair Bolsonaro se reuniu com 37 embaixadores de países árabes na quarta-feira; para a ministra da Agricultura, que organizou o encontro, as relações comerciais com esse países poderão ser intensificadas

Nayara Figueiredo, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2019 | 14h12
Atualizado 11 de abril de 2019 | 17h29

O jantar oferecido na quarta-feira, 11, pelo Ministério da Agricultura e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) a 37 embaixadores de países árabes marcou o início de um diálogo necessário entre o governo brasileiro e os países islâmicos, mas ainda não elimina o risco de retaliação dos compradores caso se confirme a mudança na embaixada do Brasil em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém, disse ao Broadcast Agro o presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Rubens Hannun.

"A mudança na embaixada não foi comentada durante o encontro. Foi dado um passo que precisava ser dado, mas o fato em si não se resolveu e nem havia a expectativa de que se resolvesse", afirma Hannun. Em geral, a percepção do executivo é de que o encontro foi positivo porque abriu portas para o estreitamento dos contatos entre autoridades dos dois países e pelo caráter informal do evento. "Não foi um jantar formal, cheio de protocolos", acrescentou.

Quanto à possibilidade de retaliação com a eventual mudança na embaixada brasileira, Hannun ressalta que o consumidor árabe é muito sensível ao Brasil como fornecedor e não se sabe como será sua reação diante dessa medida.

Nesta tarde, Bolsonaro disse a uma plateia de empresários evangélicos no Rio de Janeiro que "quem decide a capital de Israel é o seu povo, o seu governo, os seus parlamentares". Sobre o jantar com os árabes, do qual participou a convite da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, o presidente contou ter dito aos embaixadores que espera pelo fortalecimento das relações comerciais. "São países que mantêm negócios bilionários conosco", disse.

Relações

Tereza Cristina afirmou durante o jantar que está convencida de que as relações comerciais entre o Brasil e os países árabes poderão ser intensificadas.

Além do presidente Jair Bolsonaro, participaram do encontro o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o anfitrião e presidente da CNA, João Martins.

Em discurso, a ministra explicou que a relação comercial, para ser duradoura e permanente, deve se basear na complementaridade das duas economias envolvidas e, principalmente, na confiança construída entre os países ao longo de mais de um século. 

"É com base nessa confiança e no dinamismo das trocas já estabelecidas que estou convencida de que essas relações têm tudo para se intensificar muito mais num futuro imediato", disse. Na mesma linha, Bolsonaro afirmou que pretende visitar os países árabes em breve. "O nosso governo está de braços abertos a todos, sem exceção", acrescentou.

Tereza Cristina também ressaltou que as nações que compõem a Organização para Cooperação Islâmica absorvem 19% das exportações agropecuárias brasileiras. "Em 2018, isso representou uma cifra de nada menos que US$ 16 bilhões. Neste montante, estão compreendidos 58% de nossas vendas de açúcar, 37% das carnes de frango e 23% das carnes bovinas. Números assim não são frutos do acaso", afirmou.

Ainda de acordo com a ministra, o Brasil segue os princípios do mercado islâmico na expansão do agronegócio, bem como as exigências dos consumidores árabes, que conhecem e aprovam os produtos brasileiros. "O Brasil se orgulha de ser hoje um dos maiores exportadores de proteína halal do mundo", ressaltou. 

Dados da CNA indicam que o agronegócio representa 73% das exportações brasileiras para o os países islâmicos e apenas 8% das importações de produtos daqueles países ao Brasil. 

Entre os anos de 2017 e 2018, houve aumento de 94% nas exportações de bovinos vivos, para US$ 533,9 milhões, e de 39,6% nas exportações de soja em grãos, para US$ 1,578 bilhão. Ainda assim, o açúcar de cana bruto é o maior gerador de receitas de exportação para o mundo islâmico, com US$ 3,788 bilhões obtidos no ano passado.

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