Termelétrica de Cuiabá passará a funcionar com óleo

Bicombustível, usina deve gerar, inicialmente, 195 megawatts, segundo ministro de Minas e Energia

Leonardo Goy, da Agência Estado,

17 de janeiro de 2008 | 13h26

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) determinou nesta quinta-feira, 17, o acionamento da usina termelétrica de Cuiabá com óleo. A usina, que está enfrentando problemas para receber gás da Bolívia, é bicombustível. Segundo o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, a usina deverá gerar, inicialmente, 195 megawatts (MW) no início de fevereiro, podendo alcançar uma capacidade de 390 MW até março, caso seja necessário. Se a termelétrica de Cuiabá for utilizada com sua capacidade total, a geração com térmicas a óleo chegará a um total de 1.255 MW. Na semana passada, o governo já havia anunciado que os despachos que térmicas a óleo poderiam variar de 800 a 1.200 MW. A térmica de Cuiabá possui uma logística de abastecimento complicada, pois é abastecida por óleo que vem de São Paulo de caminhão. Para mantê-la funcionando, é necessário o abastecimento de dois caminhões por hora na usina. Petrobras Hubner também informou que o CMSE definiu que a Petrobras fará a substituição de parte do gás natural que utiliza em seus processos industriais por outros insumos, como nafta ou óleo. Com isso, a estatal liberará mais gás para as térmicas, o suficiente para gerar mais 750 MW. "Essa energia já deve começar a ser gerada na próxima semana", disse o ministro. Considerando-se que o governo espera, a partir de fevereiro, a conclusão do gasoduto Cabiúnas-Vitória, que permitirá o abastecimento de 5,5 milhões de metros cúbicos diários da bacia do Espírito Santo para a térmica de Macaé, que vai gerar mais 1.000 MW, a geração total das térmicas poderá alcançar 3.005 MW até março. O ministro, no entanto, mostrou-se otimista com relação às chuvas e disse que as previsões usadas pelo governo apontam que, a partir dos próximos dias uma frente fria deve provocar chuvas no Sudeste e Centro-Oeste, reduzindo as preocupações com relação ao nível dos reservatórios das hidrelétricas. "Mesmo assim não podemos relaxar." Segundo Hubner, dependendo do cenário de chuvas, algumas usinas térmicas poderão ser desligadas a partir de fevereiro. Mas o governo pretende manter funcionando, ao longo do ano, as termelétricas com geração mais barata para garantir que os reservatórios cheguem ao final do ano em boas condições para evitar uma crise de energia em 2009. Leilão O ministro comentou ainda que o governo deverá promover a contratação de pelo menos dois mil megawatts no primeiro leilão de energia de reserva, marcado para 30 de abril. O governo publicou nesta quinta no Diário Oficial da União decreto regulamentando esse novo mecanismo de contratação de energia.  A energia de reserva é uma espécie de seguro que será contratado pelas distribuidoras e será acionada quando houver descompatibilidade entre o consumo real e a energia que já contratada pelas distribuidoras com as geradoras.  Os contratos serão por disponibilidade. Mas o primeiro leilão envolverá apenas usinas de biomassa, que tem custo de geração inferior ao de outras térmicas que já existem no País, como as movidas a óleo. Assim, segundo Hubner, é provável que essas térmicas (biomassa) entrem em operação antes de outras usinas que não são de reserva, como é o caso das de óleo.

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