Paulo Vitor/ Estadão
Paulo Vitor/ Estadão

Usinas térmicas vão perder nomes de personalidades

Segundo a atual gestão, a decisão foi tomada para facilitar os registros no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2019 | 21h58
Atualizado 10 de outubro de 2019 | 13h09

RIO - A Petrobrás decidiu mudar o nome de mais da metade do seu parque de usinas térmicas, batizadas durante o governo Lula em homenagem a intelectuais, artistas e políticos. A diretoria da estatal, na época, considerou que esse grupo de figuras públicas contribuiu para a industrialização do País e construção da empresa. Na lista, estão nomes como do compositor e ator Mário Lago, incentivador da campanha ‘O petróleo é nosso’, e Celso Furtado, um dos proponentes da lei de criação da Petrobrás.

Agora, a empresa alega motivações jurídicas para alterar os nomes das termelétricas. Segundo a atual gestão, liderada pelo presidente Roberto Castello Branco, a decisão foi tomada para facilitar os registros no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

O argumento é que não seria possível usar os nomes sem o “consentimento do titular, herdeiros ou sucessores”. Por isso, a diretoria optou por retomar o nome original da maioria das térmicas, que faz referência à região onde estão instaladas.

Em seu site, a Petrobrás informa a propriedade de 20 usinas, 11 delas batizadas de 2004 a 2008 como Rômulo Almeida, instalada na Bahia, Sepé Tiaraju (RS), Celso Furtado (BA), Jesus Soares Pereira (RN), Aureliano Chaves (MG), Luíz Carlos Prestes (MS), Mario Lago (RJ), Governador Leonel Brizola (RJ), Barbosa Lima Sobrinho (RJ), Fernando Gasparian (SP) e Euzébio Rocha (SP).

Familiares dos homenageados protestaram contra a decisão. O ex-diretor e idealizador das homenagens, Ildo Sauer, diz que a empresa se cercou de todas as precauções jurídicas antes das inaugurações. Afirmou também que a petroleira arquivou as autorizações, que estão registradas em atas de reuniões do conselho de administração.  

Filhos de Mário Lago se posicionaram no Facebook. “Com essa desculpa, as placas de identificação vão sendo trocadas, gerando uma imensa e mesquinha despesa adicional. Alô, Petrobrás, saiba que nós, herdeiros de Mário Lago, autorizamos. Devolve o nome!”, escreveu Graça Lago, em mensagem compartilhada por seu irmão, Antônio Henrique Lago.

O vereador Leonel Brizola Neto (PSOL-RJ) disse que a família estava muito honrada em ter o nome do seu avô em uma das térmicas da Petrobrás e que a mudança é um sinal de “censura”. “Mais uma vez há censura à cultura, educação e história desse País”, acrescentou.

Segundo Sauer, a inauguração de todas as usinas contou com a presença do familiares. “O registro no Inpi é um detalhe burocrático. Mas se quiserem as autorizações das famílias, estão na empresa. São todos figuras do Brasil, que batalharam pelo desenvolvimento da indústria, pela urbanização e crescimento do País”, disse o ex-diretor da Petrobrás.

Ele contou que antes de deixar a companhia tinha o plano de homenagear o pai do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Leônidas Cardoso, pela sua atuação como parlamentar, jornalista e advogado.

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