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Termina lua-de-mel entre Lavagna e o dólar

Terminou abruptamente a brevíssima lua-de-mel do novo ministro da Economia argentino, Roberto Lavagna, com o dólar. Depois de ter respirado aliviado com a queda da moeda americana na segunda e na terça-feira, e do feriado da quarta-feira, Lavagna recebeu um duro golpe hoje, quando o dólar voltou a subir. A moeda americana voltou a castigar a Argentina, e a cotação nos bancos foi de 3,15 pesos, enquanto que nas casas de câmbio chegou a 3,19 pesos. No fim da tarde, os "arbolitos", como são conhecidos os cambistas ilegais, chegaram a cotar o dólar a 3,25 pesos. A alta da moeda americana ocorreu apesar da intervenção do Banco Central, que colocou US$ 20 milhões à venda, em uma tentativa de deter o dólar. Segundo os analistas, nos próximos dias a tendência de alta permanecerá.Com o pagamento dos salários no início deste mês, os argentinos mais uma vez buscaram o dólar como refúgio. Os argentinos preferem o dólar porque desconfiam que a economia do país irá de mal a pior ao longo dos próximos meses. As baixas perspectivas de um acordo urgente com o FMI também estimularam a procura pelo dólar.Segundo uma pesquisa da Fundação Mercado, que apura mensalmente o índice de confiança das famílias e dos consumidores argentinos, somente 7% dos entrevistados acreditam que o novo ministro poderá mudar para melhor o rumo da economia do país. Desta forma, Lavagna, praticamente um desconhecido do grande público, fica muito abaixo das expectativas geradas por Domingo Cavallo em março do ano passado, quando retornou ao ministério da Economia. Na época, 86% dos argentinos consideravam que "o pai da conversibilidade" poderia colocar a abalada economia argentina em ordem.A Fundação sustenta que 42,5% dos pesquisados concedem a Lavagna um mês de prazo para que consiga soluções concretas para a crise do país. Se isto não ocorrer, segundo a Fundação, mais da metade da população ficará contra o novo ministro. O ex-presidente do Banco Central, Javier González Fraga, afirmou que "o pior está por vir. Temos que dizer a verdade". Outro problema para Lavagna está ocorrendo dentro do Congresso Nacional. Ali, as lideranças parlamentares anunciaram que não estavam dispostas a debater e aprovar nesta semana - como estava previsto - uma série de medidas exigidas pelo FMI. Estas medidas - a eliminação da lei de subversão econômica e a reforma da lei de falência das empresas - são condições ?sine qua non? para chegar a um acordo financeiro com o organismo internacional. A eliminação da lei de subversão econômica enfrenta resistências entre os parlamentares. Eles consideram que seu desaparecimento estimularia a impunidade de banqueiros e empresários.Os parlamentares, tanto do governista Partido Justicialista (Peronista) como da União Cívica Radical (UCR), da oposição, afirmaram que enquanto o governo não definir o que fará com o dinheiro preso dentro do "corralito" (denominação do semicongelamento de depósitos bancários), não estão dispostos a levar as exigências do Fundo ao plenário. O "corralito" é a causa de grande parte dos protestos populares dos últimos seis meses.Outra polêmica lei para que o Congresso Nacional quer que o governo encontre uma solução é a do Coeficiente de Estabilização de Referência (CER), que implementa um drástico e impopular reajuste nas dívidas hipotecárias.Desta forma, o debate das medidas já foi adiado para a semana que vem. O cenário para o governo do presidente Eduardo Duhalde poderia agravar-se mais ainda, já que também ocorreriam atrasos na assinatura dos acordos que a União faria com os governos provinciais, para o ajuste de 60% do déficit fiscal das províncias, outra exigência do FMI.Novos ministros O presidente Duhalde empossará amanhã os novos integrantes de seu gabinete de ministros. Extra-oficialmente, divulgou-se que o atual ministro do Trabalho, Alfredo Atanasof, ocupará o cargo de chefe do gabinete de ministros. A deputada Graciela Camaño ocupará seu lugar no ministério do Trabalho.Até o início desta noite, ainda não estava definido se o deputado Jorge Matzkin ocuparia a estratégica pasta do Interior. Nos últimos meses, com a crescente tensão com as províncias argentinas, este ministério tornou-se crucial nas negociações com os governadores.

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