Termina o feriado na Argentina e bancos antecipam prejuízo

O ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, anunciou ontem que tanto os bancos como as casas de câmbio voltam a funcionar normalmente hoje, e passam a valer as novas regras para a movimentação das contas. As Bolsas continuam fechadas, alegando falta de regulamentação para voltarem a operar. Ontem foi publicado no Diário Oficial como será o resgate das aplicações retidas desde 3 de dezembro. As medidas não foram anunciadas na quarta-feira junto com o aumento do limite dos saques porque o governo tentou evitar que o impacto negativo da manutenção do confisco por um período tão longo ? algumas aplicações só terminarão de ser devolvidas em agosto de 2005 ? anulasse o efeito positivo do aumento do limite dos saques. O limite mensal para saques das contas-salário passou de 1.000 para 1.500 pesos, que poderão ser retirados de uma só vez. Nas demais contas, o teto mensal é de 1.200 pesos. Os bancos da Argentina afirmam que a pesificação dos empréstimos será um desastre. Segundo o último relatório do Banco Central argentino, o volume total de depósitos em renda fixa no país era de US$ 26,064 bilhões no dia 8 de janeiro. Executivos do setor calculam que o rombo com a transformação das dívidas em pesos pelo antigo câmbio de 1 a 1, determinada pelo governo, seria de cerca de US$ 15 bilhões nos próximos cinco anos. O governo diz que essa perda será compensada com o novo imposto sobre exportações de petróleo e derivados, também criado pelo pacote. Mas os bancos fazem outras contas. Segundo o economista Raúl Ochoa, cálculos de outros banqueiros afirmam que a perda será de cerca de US$ 10 bilhões. ?Mas, se fizermos as contas com uma porcentagem de 25% sobre as exportações de petróleo e derivados (cinco pontos porcentuais acima dos 20% cogitados pelo governo), o montante arrecadado seria de US$ 1 bilhão ao ano. Com a pesificação, os valores em dólares são transformados em pesos pelo câmbio de 1 a 1. São pesificados os empréstimos hipotecários de até US$ 100 mil dólares e os para reforma de moradia até US$ 30 mil. Para as dívidas com financiamento de veículos, o limite é de US$ 15 mil, e para empréstimos pessoais o limite é US$ 10 mil. BoatosA divulgação do cronograma de liberação dos depósitos levou o governo a negar boatos de renúncia do presidente Eduardo Duhalde e do ministro Lenicov. Segundo o chefe de gabinete da presidência, Jorge Capitanich, ?há uma usina de boatos produzida por setores interessados em desestabilizar o governo?.Leia o especial

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