Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Termina sem acordo negociação na OMC

Ideia era que países chegassem à reunião ministerial de Bali com um acerto prévio; fracasso pode determinar o fim oficial da Rodada Doha

Reuters, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2013 | 02h13

GENEBRA - As exaustivas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) com relação ao primeiro acordo global de livre-comércio foram abandonadas na madrugada de segunda-feira, sem um acordo sobre o texto a ser apresentado no mês que vem numa reunião ministerial em Bali.

O destino do acordo que simplifica procedimentos alfandegários e acelera o comércio global parece agora depender de um acerto direto entre os ministros que vão se reunir na conferência bienal da OMC, a ser realizada na ilha indonésia.

A Câmara Internacional de Comércio diz que o acordo agregaria US$ 960 bilhões à economia mundial e criaria 21 milhões de empregos, sendo 18 milhões em nações em desenvolvimento. O pacto também reavivaria a confiança na OMC como um fórum para negociações comerciais.

O acordo proposto inclui elementos da Rodada Doha, que foi iniciada em 2001, mas fracassou repetidamente na década subsequente.

O diretor-geral da OMC, o brasileiro Roberto Azevêdo, forçou os diplomatas dos 159 países-membros a passarem por árduas dez semanas de negociações, na esperança de definirem o texto a ser aprovado pelos ministros. Na sexta-feira, Azevêdo disse que tinha esperança de concluir um acordo no fim de semana. Mas a sessão final de negociação em Genebra terminou às 7 horas de ontem (4 h em Brasília) sem acordo.

Taco Stoppels, conselheiro da missão holandesa na OMC, disse pelo Twitter que Azevêdo "encerrou a reunião simplesmente agradecendo a todos. O texto não está pronto".

'Progresso glacial'. Pessoas envolvidas nas negociações disseram que os participantes chegaram perto de um acordo, mas que o progresso em alguns momentos foi glacial. "Passamos nove horas em um parágrafo hoje de manhã. Mais uma vez, uma experiência de quase morte", disse um participante na noite de domingo.

Questões não resolvidas incluem um plano indiano para estoque de safras que estaria isento das regras da OMC sobre subsídios, e uma contestação ao embargo econômico dos Estados Unidos a Cuba. A Turquia também tem preocupações sobre as novas regras a respeito de trânsito de mercadorias, e a América Central resiste à eliminação dos despachantes aduaneiros.

Azevêdo falará aos embaixadores da OMC durante uma reunião do Conselho Geral do organismo hoje, quando o trabalho será formalmente apresentado à conferência ministerial.

Há duas semanas, Roberto Azevêdo estabeleceu um prazo para que governos superem suas diferenças e sugeriu que, se isso não ocorresse, os países deveriam simplesmente abandonar a ideia de uma negociação na conferência de Bali, em menos de um mês. "Agora, é tudo ou nada", teria dito Azevêdo aos governos.

Para diplomatas consultados pelo Estado na ocasião, um fracasso seria o "enterro definitivo" da Rodada Doha, morta para muitos, mas sem o reconhecimento oficial ainda de seu fim.

 

(Com Jamil Chade, correspondente de O Estado de S. Paulo)

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.