Tasso Marcelo/Estadão
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Terminal de contêineres deve ser primeiro ativo vendido pela CSN

Negócio é um dos que a siderúrgica colocou à venda para reduzir dívida; maior interesse é de investidores estrangeiros

Fernanda Guimarães , O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2015 | 02h05

O interesse de investidores pelo Terminal de Contêineres (Tecon), em Sepetiba, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) está grande, principalmente entre os estrangeiros, apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. A venda desse ativo da CSN deve estrear a lista de desinvestimentos da empresa, que busca reduzir o seu endividamento, e ajudar a companhia a levantar R$ 1 bilhão com a venda integral do Tecon até o fim do ano, segundo fontes.

O Tecon, que realiza o escoamento de produtos siderúrgicos da CSN, movimentação de contêineres e armazenagem, tem capacidade de movimentação de 400 mil contêineres anuais. A CSN projetou arrecadar R$ 1 bilhão com o ativo, valor que, apesar do ambiente desafiador no Brasil, se espera que seja alcançado, trazendo alívio para a companhia. Entre os ativos que estão na lista de desinvestimento da CSN, o Tecon é apontado como a "joia da coroa".

"Se perguntava para a CSN qual era o seu core business e a resposta era que são cinco negócios. Agora a empresa vai precisar diminuir de tamanho", disse uma fonte de acompanha o processo de desinvestimento da empresa.

Usinas. Além do Tecon, duas usinas hidrelétricas estão entre os ativos da siderúrgica que podem ser vendidos, excluindo dessa conta sua central de cogeração térmica localizada em sua usina em Volta Redonda. Na Usina Hidrelétrica de Itá na divisa dos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a CSN possui uma fatia de 29,5%. Na Usina de Igarapava, entre São Paulo e Minas Gerais, a empresa detém 17,9%.

Estão ainda na mesa para venda parte de sua participação na ferrovia MRS, além de imóveis, oriundos da época da privatização da empresa, e suas unidades de embalagens, a Prada e a Metalic, além, é claro, da fatia detida na Usiminas. Os bancos de investimento contratados para a missão foram Bradesco BBI, Banco do Brasil, Goldman Sachs e Credit Suisse.

A CSN deu a largada para brigar contra seu elevado endividamento neste ano, quando observou sua geração de caixa cair refletindo a crise vivida pelo setor siderúrgico do Brasil e a queda do preço do minério de ferro, visto que a divisão de mineração da companhia de Benjamin Steinbruch costumava, no passado, compensar os maus momentos atravessados pela unidade do aço.

Após a alavancagem da empresa, medida pela razão dívida líquida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) bater 5,6 vezes no segundo trimestre do ano, a empresa anunciou um programa para reduzir esse indicador, que incluiu, além da venda de ativos, alongamento de dívida e corte de custos. Procurada, a CSN não comentou.

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