Ternium deve ter caminho livre para entrar na Usiminas

Empresa confirmou negociar a compra de 26% da siderúrgica mineira, e Nippon Steel, sócia da Usiminas não vai se opor ao acordo

FERNANDA GUIMARÃES, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2011 | 03h06

O caminho para a argentina Ternium entrar no controle da Usiminas está praticamente livre. A Nippon Steel, sócia da Usiminas, que poderia se opor ao negócio, não deverá exercer o seu direito de preferência caso a Camargo Corrêa e Votorantim decidam vender a fatia de 26% que detêm na siderúrgica mineira. Ontem, a Ternium confirmou que negocia sua entrada na Usiminas.

Segundo uma fonte ouvida pela Agência Estado, a companhia japonesa está preocupada em manter a sua nota de crédito (credit rating), no momento em que prepara a sua fusão com a conterrânea Sumitomo Metal Industries (SMI). Como a SMI foi bastante afetada com o terremoto que aconteceu no Japão neste ano, a companhia acredita que a melhor decisão seja resguardar o seu caixa, ainda mais diante do elevado valor que estaria sendo oferecido por ação ordinária da Usiminas: R$ 40, o que representa um prêmio de quase 80% em relação à cotação de ontem.

Além disso, a fonte lembra que a concorrência entre a Ternium e Nippon é "amigável". Assim, a empresa japonesa vê com bons olhos essa possível parceria na Usiminas, situação totalmente oposta de como era analisada a entrada da Companhia Siderúrgica Nacional(CSN), de Benjamin Steinbruch, no bloco de controle. Vale lembrar que Usiminas e Ternium já foram parceiras, quando a usina brasileira tinha participação na empresa argentina. No início deste ano, no entanto, a Usiminas se desfez da fatia de 14,25% na Ternium. O negócio, na época, superou US$ 1 bilhão.

Apoio. O aval da Nippon Steel é crucial para o negócio. Isso porque a empresa tem firmado com a Camargo Corrêa e Votorantim um acordo de acionistas, recentemente renovado. Esse documento garante que, caso uma das acionistas do bloco opte pela venda da fatia que possui, a empresa deve oferecer, primeiramente, aos demais signatários do grupo. Na prática, isso significa que, se Camargo e Votorantim decidirem se desfazer da participação de 26% na Usiminas, elas deverão oferecer a fatia à Nippon, que poderá exercer o direito de preferência de compra.

Nesse momento, segundo fontes, as conversas entre as empresas estão bem encaminhadas. Para a Nippon, a solução está sendo bem recebida, já que a CSN ficará de fora da Usiminas.

Neste ano, tanto a Nippon quanto a Sumitomo se desfizeram da participação que detinham na mina de minério de ferro Namisa, na qual a CSN possui 60%. Segundo pessoas próximas à empresa, a discordância com as decisões da CSN levaram as companhias a optarem pela saída do investimento, apesar do segmento de mineração ser altamente estratégico para ambas.

Se esse for o desfecho da novela que envolve a Usiminas há cerca de um ano, a CSN deverá buscar outro destino ao seu forte caixa, que somava mais de R$ 15,6 bilhões ao fim do terceiro trimestre deste ano. Antes da Ternium se aproximar da Camargo e Votorantim, a CSN também fez uma oferta de peso - a proposta, não divulgada oficialmente, chegaria a R$ 5 bilhões.

Mesmo se ficar de fora do negócio, a CSN poderá solicitar no próximo ano um assento no conselho de sua concorrente na assembleia dos acionistas, marcada para abril. Segundo a Lei das S/As, para ter direito a um assento no conselho é necessário 15% das ações ordinárias ou 10% das preferenciais - e a CSN já acumulou uma fatia de 15,15% das ações preferenciais e 11,29% das ordinárias.

Procuradas, a Camargo Corrêa e Votorantim informaram que não comentariam sobre o assunto. Já a Usiminas não se pronunciou até o fechamento desta reportagem.

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