Ternium fecha compra da Usiminas

Grupo argentino vai pagar R$ 5 bilhões para ficar com uma parte da siderúrgica

SONIA RACY, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2011 | 03h03

A argentina Ternium fechou ontem a compra de participação na Usiminas por cerca de R$ 5 bilhões. Com isso, ela passa a controlar a siderúrgica junto com a japonesa Nippon Steel. A fatia foi adquirida da Camargo Corrêa e da Votorantim, que, juntas, tinham 26% das ações com direito à voto, e do fundo de empregados da Usiminas - que também vendeu parte dos seus papéis.

Há cerca de dez dias, a Ternium confirmou que negociava a compra da Usiminas. A entrada da argentina encerra uma longa e acirrada disputa pela siderúrgica. Em setembro, segundo fontes próximas à companhia, a Gerdau havia feito proposta pela parte do controle, mas não teria se acertado com os japoneses da Nippon Steel. A Gerdau sempre negou ter feito oferta pela fatia da Camargo e da Votorantim.

O empresário Benjamin Steinbruch, controlador da CSN, corria por fora, comprando ações na bolsa de valores (veja matéria abaixo). Hoje, ele é um grande acionista da Usiminas, mas não faz parte do bloco de controle. Ele agora tenta um assento no conselho da companhia.

Usiminas e Ternium já foram parceiras, quando a usina brasileira tinha participação na empresa argentina. No início deste ano, no entanto, a Usiminas se desfez da fatia de 14,25% na Ternium. O negócio, na época, superou US$ 1 bilhão.

Fiel da balança. Nippon Steel era o fiel da balança nessa disputa. Sua posição era crucial para o fechamento da operação. Isso porque a siderúrgica japonesa tem um acordo de acionistas com a Camargo Corrêa e a Votorantim. Esse acerto, renovado recentemente, garante que, caso um dos acionistas do bloco opte pela venda da fatia que possui, a empresa deve oferecer, primeiramente, aos demais signatários do grupo.

A Ternium só conseguiu entrar no bloco de controle porque a Nippon Steel não exerceu o direito de preferência de compra. Embora concorrentes, Ternium e Nippon Steel são consideradas rivais amigáveis. A empresa japonesa via com bons olhos a parceria na Usiminas.

Por Steinbruch, os japoneses já não nutriam a mesma simpatia. Neste ano, tanto a Nippon Steel quanto a Sumitomo se desfizeram da participação que detinham na mina de minério de ferro Namisa, na qual a CSN possui 60%. Segundo pessoas próximas à empresa, a discordância com as decisões da CSN levaram as companhias a optar pela saída do investimento, apesar do segmento de mineração ser altamente estratégico para ambas.

Ações. Na semana passada, as ações da Usiminas estavam entre as que mais caíram na BM&FBovespa. As ordinárias, com direito a voto, caíram 13,82%. A queda das preferenciais foi de 11,52%. O desempenho no ano também é fraco: as preferenciais recuavam 44% até a última sexta-feira, quando seu valor de mercado atingiu R$ 15 bilhões.

A Usiminas vive um momento difícil. No terceiro trimestre, o lucro da siderúrgica despencou 70% na comparação com o apurado um ano antes. O resultado foi afetado por um volume de vendas menor, pressão dos custos de suas matérias-primas e efeitos cambiais.

No fim de setembro, a Usiminas tinha uma dívida total de R$ 8,9 bilhões - R$ 700 milhões a mais que no fim do ano passado. A dívida líquida estava em R$ 3,4 bilhões no encerramento do trimestre. / COLABOROU FERNANDA GUIMARÃES

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