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E-Investidor: Itaúsa, Petrobras e Via Varejo são as ações queridinhas do brasileiro

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Terra em transe

Mais importante do que ter definições na política externa, o momento é de entender o que está acontecendo no mundo todo e de questionar o que afinal quer o Brasil

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2016 | 21h00

São três as grandes mudanças anunciadas pelo governo em exercício. A primeira está no campo político interno. A segunda, a da área econômica. O terceiro cavalo de pau foi o da política externa, sob o comando do ministro José Serra. É sobre este que a Coluna pretende deter-se.

O governo Temer rejeitou a continuação da política que privilegiou as relações de cunho ideológico e optou por princípios que Serra entendeu que “devem servir ao Estado, não a um governo, e jamais a um partido”.

O Itamaraty deixará de favorecer alianças de cunho bolivariano, como as procuradas nos últimos 13 anos, e passará a buscar mais resultados, entre eles os da área comercial. 

A questão central não está em que a política externa dos governos do PT não tenha servido aos interesses do País, embora isso possa ter acontecido. Mas em redefini-la em relação ao que o Brasil pretende, o que ainda não está claro. Este não é um problema só daqui; é de todos os países que têm hoje ou procuram ter algum protagonismo internacional.

O mundo passa por enormes transformações cujos desfechos são imprevisíveis. A mais importante delas é a de que a ordem política internacional instituída no século 17 pela Paz de Westfalia parece em desconstrução; o conceito de interesse nacional vai sendo atropelado por arranjos supranacionais; o processo de globalização se intensifica, com impactos sobre a vida do ser humano; acabou a guerra fria e, com ela, o ordenamento bipolar das potências.

O mundo está sendo submetido à ação da Tecnologia da Informação e da criação da inteligência artificial, que ninguém sabe onde vão parar, mas que mudarão a geopolítica e a maneira como as fontes de poder vão interagir.

A relação de trabalho, tal como a conhecemos, é um bicho em metamorfose. E essa transformação rompe com muita coisa, rompe, por exemplo, com a atuação das organizações sindicais e com os atuais esquemas de financiamento dos sistemas de previdência.

Há impressionantes alterações no meio ambiente. Sustenta-se que isso seja o efeito do excesso da queima de combustíveis fósseis ou, então, que tenha a ver com os ciclos que definem as condições do Planeta Terra. O que importa é que algo de muito importante está a caminho, com impactos sobre a vida e as relações entre os homens. E não é alguma coisa que só vai acontecer em séculos. Está em rápido desdobramento.

A população mundial está envelhecendo e repúblicas de coroas tendem a fazer escolhas políticas mais conservadoras. Por toda parte, os sistemas de financiamento das instituições de seguro e de bem-estar social (cobertura para o desemprego e universalização dos serviços de saúde e educação básicas) estão se esgarçando e tendem a se romper; Os tesouros nacionais não suportam mais tanta pressão. O desenvolvimento da China e a emergência dos países até agora mais pobres vêm alterando o jogo econômico. No mundo muçulmano, novas instituições trabalham para a derrubada dos Estados nacionais...

E poderíamos alinhavar dezenas de transformações mais que estão desafiando o Brasil e, mais particularmente, o Ministério das Relações Exteriores. Mais importante do que ter definições, o momento é de entender o que está acontecendo e de questionar o que afinal quer o Brasil.

CONFIRA:

Veja como se comportaram o dólar e a Bolsa no primeiro dia de crise mais acentuada do governo em exercício.

Vazou

O mercado financeiro reagiu desde cedo à revelação de uma conversa do até ontem ministro do Planejamento, Romero Jucá, na qual ele sugeriria um pacto para barrar o avanço da Operação Lava Jato. A cotação do dólar subiu 1,41% e o Ibovespa fechou em queda de 0,79%. O mercado nos próximos dias vai avaliar não só o impacto da exoneração de Jucá, mas também os eventuais novos desdobramentos da Operação Lava Jato.

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