Terremoto pode causar inflação de alimentos na China

Região afetada por tremor que matou 12 mil pessoas é mais dependente da agricultura do que das indústrias

DEISE VIEIRA, Agencia Estado

13 de maio de 2008 | 08h58

O forte terremoto que atingiu na segunda-feira, 12, a província de Sichuan, na China, pode impulsionar ainda mais os preços dos alimentos e causar um retrocesso nos esforços do governo para domar a inflação no país, alertaram especialistas nesta terça-feira, em meio à queda de ações. Veja também: Mortos em terremoto na China aumentam para quase 12 mil China registra nova alta recorde na inflação Alta de alimentos não se manterá no longo prazo, diz analistaEntenda a crise dos alimentos A economia de Sichuan deve sofrer um forte golpe após o tremor de 7,8 graus na escala Richter, que causou a morte de milhares de pessoas, embora esforços de reconstrução devam impulsionar o crescimento posteriormente. "O terremoto terá um impacto negativo severo na economia de Sichuan", declarou Zhai Peng, analista da Guotai Junan Securities.Apesar de partes do país terem sido bastante atingidas, analistas acreditam que o impacto no setor industrial deve ser limitado, já que a região prejudicada é mais dependente da agricultura do que das indústrias."Enquanto o terremoto causou danos significativos em termos humanos e à infra-estrutura, esperamos que seu impacto no crescimento econômico chinês seja temporário e restrito", afirmou em nota Mingchun Sun, economista do banco de investimento norte-americano Lehman Brothers. O tremor pode, no entanto, "exacerbar o pânico em relação aos problemas na oferta de arroz em virtude da recente escassez no mercado global", acrescentou.Para analistas, a maior ameaça à robusta economia chinesa pode ser o aumento dos preços. "O terremoto obviamente irá intensificar pressões inflacionárias no curto prazo porque houve interrupção nas cadeias de oferta, e a província atingida é muito importante na área agrícola", disse Glenn Maguire, economista-chefe para a Ásia do banco francês Société Générale.O governo chinês vem adotando medidas para conter a inflação, mas ainda assim, ela alcançou 8,5% em abril (taxa anual) por causa dos elevados preços dos alimentos. As informações são das agências de notícias internacionais.

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