Tesouro: câmbio é avaliado e pode haver novas medidas

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse hoje que o governo sempre acompanha o comportamento da taxa de câmbio e voltou a afirmar que novas medidas poderão ser adotadas para evitar uma excessiva valorização do real. "Sempre estamos avaliando câmbio e possíveis ações. Isso é uma rotina", afirmou, ressaltando que é "preciso observar qual a ação mais eficiente". Ele acrescentou que não há um "momento" determinado em que o governo vai parar de analisar medidas para o câmbio.

ADRIANA FERNANDES E RENATA VERÍSSIMO, Agencia Estado

25 de julho de 2011 | 16h47

O secretário também comentou a crise nos Estados Unidos e na Europa e avaliou que a dimensão dos desdobramentos desses dois problemas é de difícil prognóstico. "Algo sobre o qual não se tem clareza", disse. Ele ponderou que o Brasil, ao contrário, tem trabalhado com fundamentos econômicos fortes. "As crises internacionais têm encontrado um País mais resistente", disse.

Ele também disse que "a princípio" o governo vai cumprir a meta cheia de superávit primário das contas do setor público em 2012. Mas o secretário, que sempre é muito categórico nas suas afirmações, dessa vez não quis se comprometer com esse objetivo ao ressaltar que essa é uma "discussão para depois". A declaração do secretário foi uma sinalização importante de que o governo pode não trabalhar com a meta cheia no ano que vem.

O secretário disse que não assina em baixo a tese de que o ano de 2012 para termos de cumprimento da meta de superávit primário será muito diferente do que deste ano, principalmente por conta das despesas com o aumento maior do salário mínimo. "O ano de 2012 será como em 2011", disse. Para Augustin, os dados da atividade econômica indicam que o corte de R$ 50 bilhões foi adequado como resposta do governo para evitar o superaquecimento da economia brasileira, com pressões inflacionárias.

Gastos

Ele rebateu a tese de que um aumento maior dos gastos no segundo semestre vai prejudicar esse esforço, justamente no momento em que a taxa de juros está num patamar mais alto. "Fizemos uma contribuição mais forte e menor na sequência. Quem fizer uma análise da atividade vai perceber os efeitos da política", avaliou.

Ele rebateu também a avaliação de que o governo vai flexibilizar a política fiscal no segundo semestre. "O contingenciamento não é programação flexível. É relevante com impactos importantes na economia", disse. Na sua avaliação, quanto mais cedo a política fiscal atuasse, melhor para economia", disse. Augustin lembrou que no início do ano os analistas não acreditavam no cumprimento da meta fiscal em 2011 e, agora, não há mais essa desconfiança.

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