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Tesouro capta US$ 3,2 bilhões com taxa mais elevada

Papéis com vencimento em 2025 vão pagar 4,305% de retorno ao investidor; taxa é a mais alta desde julho de 2010

Adriana Fernandes e Laís Alegretti, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2013 | 02h16

BRASÍLIA - Embalado pela melhora do cenário externo, o governo brasileiro captou ontem no mercado internacional US$ 3,2 bilhões em títulos com vencimento em 2025. Embora o valor vendido tenha sido maior dos que os US$ 2 bilhões esperados, o Tesouro pagou mais vender seus papéis. A taxa de retorno ao investidor de 4,305% foi a maior desde julho de 2010, com custo maior para o governo. O spread do papel também ficou mais salgado, em 180 pontos-base acima dos títulos americanos, o maior valor desde maio de 2009. A demanda dos investidores superou US$ 7 bilhões.

Desde a forte turbulência no mercado financeiro global, por conta do temor com a retirada dos estímulos monetários da economia americana, o governo não havia feito um emissão. A agenda mais limpa no mercado internacional abriu o espaço que faltava para a nova operação.

Após a divulgação, na terça-feira, de dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos reforçando a avaliação de que a retirada de estímulos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) só deverá ocorrer no ano que vem, o governo brasileiro resolveu lançar a captação externa associada à oferta de recompra de títulos antigos da dívida externa.

O Tesouro se dispôs a aceitar como pagamento nove títulos antigos, que são negociados no mercado secundário com prêmio adicional, o que provoca maior distorção para a curva de juros externa do País, que serve de referência para as emissões das empresas. O Tesouro já esperava taxas mais altas por conta da mudança de patamar de preços no cenário, mas optou pela operação por conta das vantagens na troca dos papéis.

Teste. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, a captação serviu de "teste" dos fundamentos da economia, permitindo um custo mais baixo de captação para as empresas brasileiras. "Hoje é um bom dia para vermos o que o mercado acha de fato", afirmou sobre a coincidência da captação com a divulgação de um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) com críticas ao Brasil (ler mais na pág. B7).

Longo prazo. A emissão do bônus Global 2025 pode favorecer as captações externas futuras das empresas brasileiras. As captações externas do Tesouro são um importante balizador de taxa para as emissões das empresas do País.

Tanto é assim que, menos de uma semana depois da última captação do Tesouro, em maio, a Petrobrás fez uma emissão recorde de US$ 11 bilhões no mercado internacional. Em entrevista ao Estado, publicada no domingo passado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, deu sinais de que a petrolífera poderá voltar a captar no mercado externo.

Com a redução dos aportes do Tesouro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também tem buscado outras alternativas de funding e vai se voltar mais ao mercado externo. Em setembro, o banco já havia feito emissão de US$ 2,5 bilhões.

A Caixa também deve fazer nova captação. O banco não descarta uma nova operação até o fim do ano. Em setembro, a Caixa captou US$ 1,25 bilhão de bônus de cinco anos e está aguardando nova oportunidade. Na época, a expectativa era de que fossem captados até US$ 2,5 bilhões. Mas o banco optou em emitir apenas uma tranche para avaliar as condições do mercado para captar a um prazo mais longo.

A última emissão soberana do Brasil foi em maio, quando o Tesouro vendeu US$ 800 milhões do Global 2023 com taxa de retorno de 2,750% e o menor spread da história, de 98 pontos-base. Em setembro de 2012, o Tesouro já havia vendido US$ 1,350 bilhão do mesmo papel com a menor taxa da história: 2,686%. A estratégia do Tesouro nos últimos anos no mercado internacional tem sido a de garantir o melhor gerenciamento de passivos da dívida externa, reduzindo os custos para o governo e também para as empresas brasileiras.

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