Tesouro combate efeitos da política econômica

Não apenas as ações registraram grandes quedas e o dólar, forte alta. Os operadores do Tesouro Nacional e do Banco Central (BC) enfrentam agora dificuldades para manter a confiança dos investidores em títulos públicos e na capacidade das autoridades de administrar o câmbio. O impacto crescente da desconfiança sobre os ativos põe em risco não apenas sua rentabilidade, como o patrimônio das famílias e das empresas.

O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2013 | 02h06

Neste mês, o Tesouro promoveu leilões de recompra de papéis de prazo longo (2017, 2021 e 2023) para evitar um desequilíbrio entre oferta e demanda de títulos públicos, com a desvalorização das carteiras, revelou reportagem do Estado, ontem. Os leilões tiveram um êxito relativo: os preços dos papéis continuaram pressionados. O efeito da desconfiança é provocar oscilações no valor das carteiras, inclusive dos investidores institucionais que aplicam a longo prazo. As carteiras são marcadas a preço de mercado, com reflexos imediatos no patrimônio e no valor das cotas.

A dívida do governo em papéis é da ordem de R$ 2 trilhões. Os compradores são as empresas, os bancos nacionais e estrangeiros, os fundos de pensão, as seguradoras e até as pessoas físicas. Há aplicadores de longo, mas também de curto prazo, ou seja, se o aplicador precisar de recursos, poderá ter prejuízo, algo incomum, até há pouco tempo, para as aplicações em títulos federais.

Como explicou o ex-secretário do Tesouro Carlos Kawall, "o Tesouro entra para estancar a volatilidade do mercado de juros, sob pena de perder seu cliente (o investidor)". O que não resolve o "problema fundamental" - a desconfiança na política fiscal. A análise é correta; a questão é como recuperar a confiança.

As causas do sobe e desce nas cotações são internas e externas. O banco central norte-americano (Fed) deu sinais de aperto na política monetária, hoje muito frouxa. Os papéis do Tesouro americano valorizaram, arrastaram o dólar que se tornou mais atraente para investidores de todo o mundo, inclusive do Brasil. Internamente, o aumento do juro básico para combater a inflação estimula a venda de prefixados ou corrigidos pela inflação. Parecem aumentar as posições em dólar.

O Tesouro e o BC tentam evitar grandes oscilações nos papéis públicos e no câmbio. Não há melhor alternativa, no curtíssimo prazo. A questão-chave, agora, é restaurar a credibilidade da política econômica. O melhor momento para preservá-la já se foi. Agora, o custo será maior.

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