Tesouro dá preferência ao aumento da liquidez

Entre julho e agosto - e pelo segundo mês consecutivo -, a dívida mobiliária caiu de R$ 1,876 trilhão para R$ 1,867 trilhão. O Tesouro Nacional resgatou, em termos líquidos, R$ 28,32 bilhões em papéis da Dívida Pública Mobiliária Federal interna e R$ 0,26 bilhão da dívida externa (em julho, os resgates líquidos foram de R$ 109,46 bilhões). É o mesmo que ampliar a liquidez, o que pode contribuir para uma diminuição das taxas de juros. Ou seja, parece ser uma ajuda do Tesouro para garantir que a retomada da economia não perca ímpeto.

O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2012 | 03h08

Essa opção de política econômica ocorre num momento favorável, em que aumenta o peso dos papéis prefixados na composição da dívida e há maior interesse por títulos de prazo longo e disposição dos estrangeiros de comprar mais papéis brasileiros.

Entre junho e agosto, passou de 12,2% para 13,3% a participação dos investidores externos na dívida interna. "São investidores menos propensos a retirar seus recursos", notou o coordenador-geral de operações, Fernando Garrido.

A participação de papéis prefixados aumentou de 35,86%, em julho, para 37,37%, em agosto, enquanto caía o peso dos papéis com rendimentos dependentes da inflação. Neste caso, será interessante saber se o Tesouro evitou, em agosto, a colocação de mais papéis indexados à inflação, diante do temor de um recrudescimento dos índices de preços.

Afinal, o prazo médio de vencimento da dívida aumentou de 3,99 anos, em julho, para 4,05 anos. Embora seja uma queda modesta, é possível que isso configure uma tendência: em dezembro de 2011 o prazo médio da dívida era de 3,62 anos.

Com a queda da taxa básica de juros, fica favorecida a diminuição da participação dos papéis emitidos com taxa flutuante (ou seja, indexados à Selic): o peso desses títulos, que era de 30,14%, em dezembro, caiu para 24,57%, em julho. E ficou praticamente estável, em agosto, com 24,68%, dentro da meta do governo de um porcentual entre 22% e 26%, segundo o Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2012.

Os gestores da dívida pública dispõem de uma janela de oportunidade para colocar papéis, graças ao aumento da liquidez nos Estados Unidos, por intermédio das facilidades quantitativas (QE3), e na Europa. Mais liquidez assegura mais demanda de papéis de países com administração confiável, como o Brasil. A recompra líquida de papéis foi decidida pelos gestores, que voltarão à colocação líquida de papéis quando for preciso enxugar a liquidez.

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