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Tesouro Direto democratiza acesso e bate recordes
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Tesouro Direto democratiza acesso e bate recordes

Plataforma reúne 1,5 milhão de investidores ativos

Estadão Blue Studio, O Estado de S.Paulo
Conteúdo de responsabilidade do anunciante

20 de junho de 2021 | 07h00

Entre as alternativas de investimento em renda fixa que mais têm ganhado espaço no mercado, está a compra de títulos públicos em plataforma online. O programa Tesouro Direto foi criado em 2002 pelo Tesouro Nacional em parceria com a B3 e se tornou desde então uma das mais bem-sucedidas iniciativas visando à democratização de acesso ao mercado. Em março passado, o programa ultrapassou a marca de 10 milhões de investidores cadastrados e, em abril, superou 1,5 milhão de investidores ativos.

Entre os motivos para esse sucesso, estão a facilidade de acessar o programa, a segurança de ter como emissor o próprio governo, a liquidez dos papéis e a diversidade de rentabilidade, prazos de vencimento e fluxos de remuneração. O papel pode ter a remuneração prefixada, com os juros anuais definidos antes da compra, ou pós-fixada, usando um indexador (Selic ou IPCA) e mais um prêmio de risco.

Os dados do boletim de abril do Tesouro comprovam que a plataforma agrada aos pequenos investidores. As vendas de até R$ 5 mil corresponderam a 84,7% do total contabilizado no mês. Do estoque total de

R$ 63,92 bilhões aportados em Tesouro Direto até o fim de abril de 2021, os títulos remunerados por índices de preços respondem pelo maior volume, alcançando 54,2%. Na sequência, aparecem os títulos indexados à taxa Selic, com participação de 25,7%, e, por fim, os títulos prefixados, com 20,2%.

Especialistas costumam destacar a maior segurança desse tipo de investimento, um apelo nada desprezível para quem é iniciante, não dispõe de muitos recursos e que tem algum aversão a riscos.  “O Tesouro Direto é um boa opção contra o risco inflacionário”, afirma Paula Zogbi, analista da Rico Investimentos. “Ele tem uma característica para quem busca segurança, uma reserva de emergência. O título vinculado à inflação, por exemplo, paga um spread em cima da inflação contratado contra o governo”, concorda Daniel Pegorini, CEO da Valora. “Tesouro Direto é sabidamente o investimento mais seguro do País, já que os títulos públicos de um país são, a princípio, os investimentos mais seguros”, avalia Bernardo Pascowitch, CEO e fundador da plataforma Yubb.

Um alerta que os analistas sempre fazem é que as pessoas que investem em títulos públicos precisam se informar sobre as condições atuais da economia antes de definir detalhes como o indexador ou o prazo dos ativos. Para o curto prazo, por exemplo, Renato Iversson, da Taler Gestora de Patrimônio, sugere observar os sinais de reaquecimento da atividade. “Os dois principais fatores a se observar nos próximos meses são a evolução da vacinação e a inflação. O primeiro ditará a volta à normalidade da economia e a inflação tem impacto nas expectativas de taxas de juros, podendo afetar a performance dos mercados”, opina.

Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Research, sugere avaliar também a questão fiscal, que está muito atrelada às perspectivas do próximo ano, quando haverá eleições presidenciais. “Se olhar a foto do momento, o fiscal não preocupa. Ao olhar o quadro inteiro, o futuro traz preocupação”, avalia, lembrando a natural pressão por maiores gastos públicos e por subsídios que o período de disputa política costuma trazer. Camila Dolle, analista de renda fixa da XP Investimentos, diz preferir no momento analisar questões como ritmo de atividade a partir da vacinação contra a covid-19 e avanço de reformas no Congresso antes de cravar algum quadro eleitoral porque há muitas dúvidas a respeito.

Para Fabio Zenaro, diretor da B3, o estresse eleitoral é um fenômeno natural. “Todo ano que tem eleição, com a política mais conturbada, tende a ser um ano mais volátil. O investidor tem de imaginar se o que está refletido nas projeções está coerente com sua estratégia. E fazer a melhor escolha”, afirma. Ele sugere que o investidor passe a colher opiniões, ponderar sobre a possibilidade de diversificação de prazos dos títulos (curto ou longo), da cobertura de risco e dos diferentes índices.

Para João Peixoto, sócio-diretor da Ouro Preto Investimentos, esse tipo de preocupação com aumento de gastos está um pouco mais reduzido atualmente. “Não acredito que ocorrerá a mesma farra de gastos que vimos em outros governos. Vamos torcer para que eu esteja certo em relação à responsabilidade fiscal deste governo”, afirma.

Poupança ainda é campeã, mesmo perdendo da inflação

Tradição, simplicidade e sensação de segurança. Essas são as características que tornam a poupança a principal escolha dos investidores em renda fixa no Brasil, mesmo com a rentabilidade atual inferior à inflação. Há um consenso no mercado de que um dos grandes desafios dessa indústria é trazer parte desse público para outras modalidades de aplicação, também simplificadas, mas com retornos melhores.

A versão 2020 da pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro, divulgada pela Anbima, mostrou que 84,2% dos investidores deixaram seus recursos na caderneta no ano anterior. Segundo os relatórios disponibilizados pelo Banco Central em junho deste ano, o estoque de recursos da poupança está em mais de R$ 1 trilhão.

O problema é a rentabilidade. Um levantamento realizado pela Economática para o E-Investidor mostrou que o retorno da poupança em 12 meses, considerando a data de 31 de março, ficou em -4,16% quando descontada a inflação do período.

Camila Dolle, analista de renda fixa da XP Investimentos classifica esse comportamento do investidor de manter recursos numa aplicação que perde da inflação como “inércia”. Para Fabio Zenaro, diretor da B3, isso está muito relacionado com cultura do investidor, que acredita que esse produto é mais seguro que os demais. Tanto é verdade que esse volume não é formado apenas de pequenos depósitos. “Se você pegar o investidor de mais alta renda, num segmento premium, de bancos tradicionais, ainda tem um volume razoável aplicado na poupança”, lembra.

Para Zenaro, algumas tendências podem ajudar a mudar esse quadro: a mudança do perfil do investidor e a maior propensão ao risco. “Para isso, existem as iniciativas de educação financeira, como o hub da B3.”

João Peixoto, sócio-diretor da Ouro Preto Investimentos, acredita que, pela tradição, talvez a caderneta de poupança sobreviva, mas não com os ativos sendo aplicados diretamente em operações imobiliárias como é hoje. “Talvez com os bancos aplicando os recursos da poupança em papéis securitizados, que passariam a ser negociados no mercado secundário. Pois assim haveria liquidez e rentabilidades maiores”, sugere.

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