Tesouro dos EUA acusa bancos de trabalharem contra pacote

'Essa perigosa dinâmica precisa mudar', diz secretário, que promete impor condições às instituições financeiras

Nathália Ferreira, da Agência Estado,

10 de fevereiro de 2009 | 11h49

Os esforços até o momento para impulsionar o setor financeiro foram "inadequados" e o governo agora precisa se concentrar em maneiras de ajudar o balanço dos bancos a ficar mais forte, vai afirmar o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, às 14 horas (horário de Brasília), segundo trechos do seu discurso. Geithner acrescenta ainda , segundo o texto, que o sistema financeiro atualmente parece estar "trabalhando contra a recuperação e que essa perigosa dinâmica precisa mudar".   Veja Também:  Obama defende ação estatal contra a crise nos EUA  Senado dos EUA deve votar pacote de US$ 838 bi às 15h De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise   O secretário do Tesouro afirma também no discurso que qualquer capital que o governo injetar nos bancos virá com condições. O governo quer assegurar "que cada dólar de ajude preserve ou gere capital de empréstimo acima do nível que seria possível na ausência do apoio do governo", diz.   "Vamos exigir que as instituições bancárias passem por um cuidadoso teste de estresse abrangente, para usar o termo médico", diz o discurso de Geithner. "Queremos os balanços deles mais limpos e mais fortes. E vamos ajudar neste processo oferecendo um novo programa de suporte de capital para as instituições que precisarem." As informações são da Dow Jones.   Geithner dirá ainda que o Departamento do Tesouro, em conjunto com o Federal Reserve e o Federal Deposit Insurance Corp (FDIC), trabalha para lançar um fundo de investimento público-privado que ajudará a avaliar os ativos das instituições financeiras. "Este programa irá oferecer capital e financiamento do governo para ajudar a alavancar capital privado, para fazer com que os mercados privados trabalhem novamente para os empréstimos e ativos que agora pesam em todo o sistema financeiro", afirmará Geithner, segundo trechos do seu discurso.   O objetivo da administração "é usar capital privado e gestores de ativos privados para ajudar a fornecer um mecanismo de mercado para avaliar os ativos", continua Geithner no discurso.   O novo chefe do Tesouro irá afirmar que nenhum plano de recuperação financeira pode ter sucesso sem reiniciar os mercados de securitização para empréstimos sólidos oferecidos a consumidores e empresas. "Este é um desafio mais complexo do que qualquer outro que o nosso sistema financeiro tenha enfrentado, exigindo novos sistemas e atenção persistente para solucioná-lo", afirma Geithner no discurso preparado. "Mas o presidente, o Tesouro e todo o governo estão comprometidos com isso, pois sabemos quão diretamente o futuro da nossa economia depende disso."   Senado e o pacote de estímulo   Nesta terça-feira, o Senado dos Estados Unidos deve votar o pacote de estímulo econômico às 15 horas (de Brasília). O pacote a ser votado teve seu custo estimado revisado na última segunda para US$ 838 bilhões pelo apartidário Escritório Orçamentário do Congresso, acima da estimativa anterior de US$ 827 bilhões. Se o projeto passar, começam quase que imediatamente as discussões para resolver as diferenças entre a proposta do Senado e a versão da Câmara, de US$ 819 bilhões.   O plano do Senado, de US$ 838 bilhões, e o plano da Câmara, de US$ 819 bilhões, têm quase o mesmo tamanho e contêm combinações similares de cortes de tributos para empresas e indivíduos, incluindo propostas para ajudar empresas a obter novas restituições de imposto por meio da compensação com prejuízos em anos anteriores. Os planos também incluem aumento nos gastos do governo, levantamento de fundos para benefícios de desemprego, assistência alimentar para os pobres e investimentos para criação de empregos em construção de pontes e rodovias, entre outras coisas.Mas as versões divergem em áreas importantes. O projeto do Senado incluiu, por exemplo, dois benefícios tributários bastante custosos que não constam na versão da Câmara. Já a proposta da Câmara tem uma provisão para o setor imobiliário bem menor, de US$ 2,5 bilhões. A versão do Senado inclui ainda uma proposta de US$ 69 bilhões para evitar que o imposto mínimo alternativo atinja os norte-americanos de média renda. As informações são da Dow Jones.   Texto ampliado às 12h13

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