Tesouro dos EUA vai vender as suas ações no Citigroup

Tesouro dos EUA vai vender as suas ações no Citigroup

Operação será realizada com lucro, pois papéis, cerca de 27% do[br]total da instituição, se valorizaram e devem render US$ 8 bilhões

, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2010 | 00h00

O governo dos Estados Unidos anunciou ontem que pretende vender sua participação no banco Citigroup, correspondente a 27% das ações da empresa - no que promete ser uma das maiores operações do tipo em toda a história.

Os papéis foram cedidos ao Tesouro americano pela instituição em 2008 durante a crise financeira global e se valorizaram. Estima-se que, atualmente, as ações custem cerca de US$ 33 bilhões.

Se o valor delas continuar nesse patamar, a expectativa é de que a venda dos papéis se reverta em um lucro de aproximadamente US$ 8 bilhões para o contribuinte americano.

De acordo com o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, os cerca de 7,7 bilhões de ações da instituição serão vendidos em parcelas ao longo deste ano.

US$ 25 bilhões. No total, o Citigroup recebeu US$ 45 bilhões do governo pelo Programa de Alívio para Ativos Problemáticos (Tarp, na sigla em inglês), adotado durante a crise.

Desse total, US$ 25 bilhões foram trocados por ações. Os demais US$ 20 bilhões já foram devolvidos ao governo pelo banco. A devolução foi realizada no fim do ano passado.

Um comunicado do Tesouro americano afirma que "pretende vender suas ações comuns do Citigroup no mercado por meio de diferentes canais e de uma forma ponderada e ordenada".

Acredita-se que a venda das ações do Citigroup comece no próximo mês, depois que o banco publique um balanço.

O governo americano indicou que o banco Morgan Stanley se encarregará de dirigir a venda de ações.

"Esse é o último dos grandes resgates de bancos e foi um dos maiores resgates de bancos", disse Doug Elliot, do Brookings Institution e ex-executivo do JP Morgan. "É uma boa notícia para todo mundo."

Pagamentos. Quase 700 bancos foram beneficiados pelo Tarp e a maioria deles devolveu o dinheiro rapidamente ao governo porque o empréstimo estabelecia várias restrições - incluindo a limitação no pagamento de bônus aos seus executivos.

Muitos dos maiores bancos já pagaram o empréstimo do governo americano. O Citigroup, por exemplo, segue outras instituições como o Goldman Sachs e o Bank of America, que já pagaram o investimento do governo dos Estados Unidos.

De acordo com o comentarista de economia da BBC Andrew Walker, apesar de os empréstimos aos bancos agora parecerem extremamente rentáveis, a ajuda concedida a outras instituições provavelmente não irá representar lucros para o contribuinte americano.

Esse seria o caso dos empréstimos à seguradora AIG e às montadoras General Motors e Chrysler, disse Walker.

As últimas informações oficiais a respeito do Tarp, divulgadas no fim do ano passado, indicavam que 67 instituições que receberam o dinheiro já pagaram todos ou parte dos empréstimos, num total de US$ 165,2 bilhões.

Lucro. Uma saída lucrativa do Citigroup marcaria uma "grande vitória de relações públicas para a administração Barack Obama", disse Greg Valliere, analista de políticas públicas da Soleil Securities, de Nova York.

O lucro poderia reforçar um sentimento favorável à administração Obama, depois da aprovação do pacote de universalização do sistema de saúde, do acordo nuclear com a Rússia e dos recentes sinais de retomada na economia, disse Valliere.

No entanto, o retorno à normalidade para um dos maiores bancos que receberam socorro do governo no auge da crise financeira global poderia dificultar a aprovação da reforma da legislação do sistema financeiro. E a reforma tem justamente o objetivo de evitar crises e ajudas como essa, disse. "Mas eu acho que uma nova lei será aprovada", finalizou Valliere. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

PARA LEMBRAR

Tesouro garantiu ativos de US$ 300 bi

O programa de socorro ao Citigroup foi anunciado em novembro de 2008 com o objetivo de ajudar a estabilizar o banco e, por extensão, o sistema financeiro. As autoridades injetaram US$ 20 bilhões no banco para garantir mais de US$ 300 bilhões em ativos. Em troca, o Citigroup concordou em emitir ações para o governo, limitar o pagamento de bônus e adotar um programa governamental para ajudar donos de hipotecas em dificuldades.

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