Tesouro: Emissão de prefixados de 10 anos é marco histórico

O secretário do Tesouro Nacional, Tarcísio Godoy, comemorou nesta quinta-feira o resultado do primeiro leilão de títulos prefixados com prazo de dez anos (NTN-F com vencimento em 2017). "É mais um marco na história do Tesouro Nacional", disse em entrevista exclusiva à Agência Estado. Segundo ele, a demanda foi "boa e consistente", e os preços vieram dentro do consenso do mercado. "Apesar da volatilidade no mercado ontem (quarta-feira), isso não afetou a demanda pelo nosso papel. O título prefixado de dez anos é muito importante por ser considerado um dos principais benchmarks (referência) do mercado internacional", disse Godoy. "Isso nos aproxima mais ainda dos mercados desenvolvidos e permite que a gente continue no nosso caminho de estruturar melhor a nossa dívida", completou. Os títulos prefixados são vantajosos para o governo pois ele sabe, desde o começo, quando vai pagar de juros. No caso dos papéis pós-fixados, o governo fica vulnerável às oscilações das taxas de juros.Segundo Godoy, a demanda pelos papéis prefixados de dez anos emitidos nesta quinta pelo Tesouro permite antecipar que o governo fará nova oferta destes papéis na próxima semana. "O volume da nova oferta será de acordo com a demanda que vier a ocorrer", explicou.De acordo com ele, o Tesouro deverá emitir semanalmente papéis de dez anos dentro da estratégia anunciada no final do ano passado de criar benchmarks de três, cinco e dez anos na dívida interna, de modo a aproximar o mercado brasileiro de títulos do internacional e torná-lo, assim, mais atrativo aos investidores estrangeiros.Os detalhes sobre as ofertas semanais de títulos prefixados de dez anos serão divulgados no Plano Anual de Financiamento (PAF), previsto para ser anunciado, segundo ele, entre os dias 15 e 20 deste mês. LFTsO secretário do Tesouro afirmou que no PAF será mantida a diretriz de reduzir a participação das Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), opção de investimento que acompanha a variação da taxa básica de juros, a Selic (atualmente em 13,25% ao ano), na composição da dívida interna. Ele não quis antecipar quais serão os limites que o Tesouro vai colocar a estes papéis. Em 2006, o PAF previa que as LFTs deveriam ficar em, no máximo, 49% da dívida e, no mínimo, em 39%. No final do ano, entretanto, o Tesouro admitiu que, por conta da escassa demanda, as LFTs ficariam abaixo do piso. Nesta quinta, o secretário-adjunto do Tesouro, Paulo Valle, admitiu que a participação das LFTs fechou 2006 abaixo de 38% do total da dívida. Embora Godoy não tenha informado quais serão os limites para as LFTs em 2007, a tendência, de acordo com o histórico do Tesouro, é que o teto fique abaixo do porcentual da participação destes títulos em 2006.

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