Tesouro inicia compra de ativo podre em 4 semanas, diz fonte

Prazo não é muito maior do que o previsto pela indústria, mas, segundo fonte, 'não será possível' antecipá-lo

Suzi Katzumata, da Agência Estado,

03 Outubro 2008 | 17h39

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos somente vai começar a comprar ativos podres de Wall Street, sob os termos do pacote de socorro aprovado e sancionado nesta tarde, depois de quatro semanas, segundo uma fonte ouvida pela Dow Jones. Esse prazo não é maior do que muitos na indústria estavam esperando, mas essa fonte disse que "não será possível" para o Tesouro fazer sua primeira compra em qualquer momento mais cedo.   Veja também: Bush sanciona lei que prevê US$ 700 bilhões contra a crise Aprovação do pacote protege o povo americano, diz Paulson Aprovação demonstra compromisso do governo, diz Bernanke Recurso extra reduz impopularidade de plano, diz economista Só pacote não será suficiente, diz Celso Ming  Você acha que o pacote resolverá a crise?  Crise afetará neoliberalismo, dizem analistas Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Entenda o pacote anticrise que passou no Senado dos EUA A cronologia da crise financeira  Veja como a crise econômica já afetou o Brasil Entenda a crise nos EUA    Menos de 2 horas depois da Câmara dos Representantes ter aprovado o histórico pacote de socorro para a indústria financeira de US$ 700 bilhões, o presidente George W. Bush sancionou a lei, abrindo o caminho para o Tesouro implementar o programa. O Tesouro tem 45 dias para emitir as regras que vão reger um conjunto de questões cruciais, tais como que ativos irá comprar e que mecanismos irá usar para precificá-los.   Para supervisionar o novo programa, o Tesouro planeja contratar rapidamente cerca de duas dezenas de novos funcionários, disse uma fonte do Departamento. Entre os novos contratados estarão advogados, contadores e administradores de ativos, do governo ou do setor privado. Além disso, o Tesouro também vai contratar pelo menos de cinco a dez firmas para administrar os ativos que comprar. O Tesouro vai desenvolver um guia de conflito de interesses para qualquer empresa participante, disse essa fonte.   Entre as dúvidas a serem resolvidas pelo Tesouro estarão a definição dos tipos de ativos "podres" que o governo vai comprar, o mecanismo de definição de preços, como as operações de compra serão estruturadas e se empresas que não sejam norte-americanas poderão participar. A diretora executiva de operações da American Bankers Association, Diane Casey-Landry, disse que sua organização já conversou com funcionários do Tesouro e com autoridades reguladoras e que espera que as normas sejam elaboradas "muito rapidamente".   Segundo Casey-Landry, os bancos comerciais estão preocupados com a forma de precificação dos ativos a serem comprados pelo Tesouro em comparação com créditos. "A formação de preço é absolutamente crítica. Os preços não poderão ficar no piso do mercado, mas estabelecer o próprio mercado", acrescentou.   Sob a lei que foi sancionada nesta tarde, o Tesouro tem a autoridade de organizar seu processo de contratação. "Para propósito desta Lei, o secretário poderá renunciar a cláusulas específicas da Regulação Federal de Aquisição sobre uma determinação que circunstâncias urgentes e constrangedoras tornam a submissão a tais cláusulas contrário ao interesse público", diz o texto da legislação.   Rejeição   Na segunda-feira passada, 29, a Câmara havia rejeitado a primeira versão do pacote por 228 votos a 205. Depois que o Senado ampliou a proposta com medidas de caráter popular, vários deputados disseram que mudariam seus votos.   O pacote revisado incluiu "agrados" aos republicanos, principais responsáveis pelo veto à primeira versão da lei. O novo projeto prevê mais de US$ 150 bilhões em incentivos fiscais a empresas. Entre as mudanças no texto, está também o aumento no limite do seguro federal para contas correntes, de US$ 100 mil para US$ 250 mil, válido por um ano; a prorrogação de vários incentivos fiscais para empresas e mudanças em impostos.   Também foi inserida na lei medida obrigando seguradoras a cobrirem tratamento de doenças mentais e outra que prevê incentivos fiscais para energia renovável, como eólica e solar, além de deduções no imposto para vítimas de furacão e enchente, e auxílio a escolas rurais.   A primeira versão do pacote, apresentada pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson, tinha apenas 3 páginas. A versão rejeitada pela Câmara tinha 110 páginas e o projeto aprovado na quarta no Senado tem mais de 450.

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