Tesouro não vê risco de queda na venda de títulos

Ao contrário da avaliação de muitos analistas do mercado financeiro, o Tesouro não vê risco de o aumento da atratividade da caderneta de poupança, depois da queda mais forte da Selic, diminuir a demanda dos investidores por títulos da dívida pública.

RENATA VERÍSSIMO , ADRIANA FERNANDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2012 | 03h05

A taxa de juros mais baixa vêm reduzindo os ganhos dos fundos de investimento, um dos maiores compradores de títulos públicos. O temor no mercado é de que a demora do governo em promover mudanças na forma de remuneração da poupança promova fuga de recursos dos fundos, trazendo dificuldades para o Tesouro vender seus papéis e refinanciar a dívida pública. Isso porque, após a queda dos juros, a rentabilidade da poupança passou a ser maior que alguns tipos de investimento em renda fixa.

"O ministro (da Fazenda, Guido Mantega) já tem dado declarações para tranquilizar que não haverá problema algum. O Tesouro não tem preocupação alguma com esse fato. Não há nada que preocupe em termos de afetar a demanda por títulos públicos", disse o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro, Fernando Garrido.

Para Garrido, o efeito da queda da Selic é positiva. "O custo médio da dívida pública tende a se reduzir, aumentando a participação de prefixados, de menor risco para o Tesouro. Na verdade, isso é vantagem para a dívida." Ele lembrou que, quando os juros básicos atingiram 8,75% ao ano, entre julho de 2009 e abril de 2010, houve aumento da demanda por papéis prefixados (cuja rentabilidade é definida na venda), e menor procura por papéis atrelados à Selic (LFT).

Esse movimento já pode ser sentido novamente este ano. Segundo dados do Tesouro, os fundos de investimentos estão reduzindo a participação das LFTs nas carteiras. Em março, 49,3% dos títulos públicos em carteira eram de papéis remunerados pela Selic, menor nível desde 2007.

Isso significa que os gestores dos fundos buscam alternativas para elevar a rentabilidade, mesmo correndo mais riscos ao investir em outros tipos de papéis. Eles, porém, continuam a ser os principais detentores de títulos atrelados à Selic. O mesmo movimento de troca ocorreu no Tesouro Direto, programa de venda de títulos para pessoas físicas.

Poupança. Depois que o Banco Central reduziu, na semana passada, a Selic para 9% ao ano, aumentaram as pressões do mercado e dos grandes bancos para que o governo envie ao Congresso uma Medida Provisória (MP) com mudanças na poupança.

Apesar dos rumores sobre alterações nas regras das cadernetas, fontes do governo ouvidas pelo Estado afirmam que "não há uma sangria desatada" sobre o assunto. O governo tem algumas propostas prontas desde que o BC sinalizou que a Selic voltaria a ficar perto do nível histórico de 8,75%. Segundo uma fonte do Palácio do Planalto, a mudança nas regras da poupança é uma avaliação que cabe ao Ministério da Fazenda.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.