Tesouro recompra os títulos mais antigos

Descobri que tendo uma carteira com diversas NTN-Bs, com diferentes taxas de juros, o Tesouro vai escolher as de maior rendimento na hora de vender. O Tesouro alega que é indiferente vender uma ou outra, pois se trata de uma carteira (como se fossem ações). Mas na realidade não é, pois pretendia vender títulos que rendiam 3,96% e o sistema resgatou as que rendiam 6,31%. Como posso solucionar isso?

FÁBIO GALLO É PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV, DA PUC-SP, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2013 | 02h09

O procedimento está correto quando se tratar de uma carteira de títulos de mesmo tipo e para o mesmo vencimento, mas comprados em datas diferentes - no seu caso são as NTN-Bs com o mesmo vencimento. Isto não ocorre quando os títulos são do mesmo tipo, mas possuem vencimentos diferentes, um em 2015 e outro em 2024, para dar um exemplo. Neste caso, é o investidor que indica qual dos títulos vender. A ordem de recompra de títulos de uma mesma carteira obedece sempre a seguinte regra: "o primeiro a entrar é o primeiro a sair". Isso acontece para favorecer o investidor devido às alíquotas regressivas do Imposto de Renda que são cobradas no resgate dos títulos. O Tesouro Direto sempre recompra o título mais antigo porque a rentabilidade líquida para o investidor é maior, embora a rentabilidade bruta seja a mesma. Essa é uma prática adotada inclusive pelos fundos de investimento. Entre os fundos, a cota mais antiga também é a primeira que sai. Para responder a pergunta, fiz contato direto com a equipe do Tesouro Direto e questionei se havia alerta ao investidor sobre esse procedimento. Isto é encontrado na seção de perguntas frequentes no site do Tesouro Direto (https://www.tesouro.fazenda.gov.br/pt/perguntas-frequentes). A resposta completa, com exemplos, pode ser encontrada no meu blog no portal do Estadão (http://blogs.estadao.com.br/fabio-gallo/).

Qual previdência (PGBL ou VGBL) tem garantia contra o risco de calote do governo? A garantia é de 100% ou somente de parte da perda?

Não há garantias contra calotes nos planos de previdência. Estes são planos que têm como origem as seguradoras. Assim, quando comprar um desses planos, o investidor deve ficar atento e procurar informações sobre a seguradora em que pretende colocar o seu dinheiro. Lembre-se que você irá investir ao longo de 20, 30 ou mais anos e somente depois disso é que poderá usufruir dos benefícios. É importante conhecer bem a seguradora e verificar a sua solidez. Investimentos com garantia contra os riscos de crédito são apenas os emitidos pelo governo ou pelos bancos. No caso da renda fixa emitida pelos bancos, há garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira. A garantia é válida para: depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio; depósitos em conta-corrente para investimento; caderneta de poupança; CDBs; depósitos mantidos em contas não movimentáveis por cheques destinados ao registro e controle do fluxo de recursos referentes à prestação de serviços de pagamento de salários, vencimentos, aposentadorias, pensões e similares; letras de câmbio; letras imobiliárias; letras hipotecárias; Letra de Crédito Imobiliária (LCI) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCA).

Sou viúva e aposentada, e tenho 70 anos. Tenho aplicações em poupança, CDB, fundos de renda fixa, além de um plano de previdência VGBL, que rendeu neste ano, bruto, 0,436%, e outro que rende IGP-M mais 4% ao ano. Resgatei um CDB de R$ 40 mil e eu gostaria de saber onde o senhor me aconselha aplicar este valor.

Minha primeira sugestão é investir o recurso em uma Letra de Crédito Imobiliária (LCI) ou Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), mas desde que esse valor possa ficar aplicado por um prazo de dois a três anos. Isso porque são títulos de renda fixa, emitidos por bancos, possuem garantia de até R$ 250 mil pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e são isentos de taxas e de Imposto de Renda. Caso a opção de investimento com prazo mais longo não seja a mais adequada, a alternativa seria manter o dinheiro na caderneta de poupança porque nestes últimos meses tem rendido mais que o CDB e outros tipos de investimentos. Lembrando que a poupança mantém as mesmas condições das LCIs e LCAs quanto à garantia do FGC e também não cobra taxas ou impostos. Outra vantagem é a liquidez, uma vez que o correntista pode resgatar todos os recursos a qualquer momento.

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