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Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Tesouro revisa estratégia e eleva fatia de títulos mais longos na rolagem da dívida

Porcentual dos débitos com vencimento nos próximos 12 meses caiu de 27,5%, em dezembro, para 24,5% em abril; com títulos mais longos, Tesouro espera dar um sinal de confiança ao mercado

Idiana Tomazelli e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2021 | 05h00

BRASÍLIA - Depois da piora no perfil da dívida pública em 2020, por conta do aumento de gastos com a pandemia da covid-19 e da maior incerteza dos investidores, o Tesouro Nacional revisou sua estratégia de financiamento para 2021 e deu indicações de que já consegue melhorar a composição do endividamento do País. De forma paulatina, o órgão tem substituído títulos de prazo mais curto, que obrigam o Brasil a ir a mercado mais vezes, por papéis mais longos, um sinal de confiança e maior sustentabilidade da dívida.

A mudança é importante porque uma alta concentração da dívida em papéis de curto prazo deixa o País mais exposto ao risco de refinanciamento, isto é, precisar emitir títulos em um momento de maior volatilidade ou adversidade no mercado financeiro – tendo de pagar caro ao investidor para financiá-lo ou, no limite, ficando sem ter quem compre os papéis brasileiros.

O subsecretário da Dívida Pública do Tesouro, Otavio Ladeira, destacou o sinal positivo dado pela revisão de estratégia, mas reconheceu que a retomada dos indicadores pré-pandemia “deve tomar certo tempo”.

No ano passado, o governo precisou se endividar mais para bancar o aumento das despesas para combater a covid-19. 

A combinação da maior necessidade de financiamento com a aversão ao risco dos investidores, turbinada pela desconfiança em relação à continuidade do processo de ajuste fiscal no Brasil, levou o Tesouro a concentrar boa parte das emissões de 2020 em títulos de prazo mais curto.

Em dezembro do ano passado, o porcentual de dívida vencendo em 12 meses chegou a 27,57% do montante, ante 18,68% um ano antes. Em 2021, esse porcentual já vem tendo uma redução: caiu a 24,52% em abril e deve encerrar o ano entre 22% e 27%, segundo o Tesouro. A previsão antes era de 24% a 29%. “A composição da dívida pública teve mudança considerável. Levará tempo retomar porcentuais pré-pandemia”, disse Ladeira.

Estoque

Apesar da melhora gradual no seu perfil, o estoque da dívida deve permanecer elevado. A previsão do Tesouro é que ele feche o ano entre R$ 5,5 trilhões e R$ 5,8 trilhões.

O ajuste na estratégia de financiamento se traduz em uma composição com maior participação de títulos remunerados pela Selic (com vencimentos de 1 ou 6 anos) ou pela inflação (com prazos a partir de 3 anos), em detrimento de papéis prefixados com prazos menores, de até 12 meses. Com a mudança no perfil das emissões, o Tesouro também prevê que o prazo médio da dívida deve ficar de 3,4 anos a 3,8 anos (esse dado encerrou 2020 em 3,57 anos).

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