Imagem Adriana Fernandes
Colunista
Adriana Fernandes
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Tesouro segura títulos para 'acalmar' os juros

Para diminuir a pressão de alta sobre os juros futuros, Secretaria do Tesouro decidiu colocar um pé no freio nos leilões de títulos públicos

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2014 | 02h09

BRASÍLIA - Em resposta à pressão que os investidores fazem de alta no mercado futuro de juros, o Tesouro Nacional vai colocar um pé no freio nos leilões de títulos públicos até a volatilidade do mercado financeiro refluir e as taxas de juros "acalmarem". O anúncio da decisão de cancelar o leilão tradicional desta quinta-feira, ajudou ontem a desacelerar o ritmo de alta das taxas de juros.

A pressão nas taxas dos contratos de curto prazo se intensificou a partir da semana passada, depois que agentes do mercado passaram a acreditar que o Banco Central (BC) iria acelerar a alta da Selic depois que Índia, Turquia e África do Sul aumentaram os juros para conter a forte queda das suas moedas frente ao dólar. O Brasil foi incluído no grupo dos cinco países emergentes mais frágeis, junto com Indonésia, Índia, África do Sul e Turquia.

Especulações em torno de conversas de economistas de grandes bancos com autoridades de Brasília só alimentaram as apostas. Como nenhum dirigente do BC até agora se pronunciou publicamente, a queda de braço com o mercado em torno dos juros continuou, como definiu uma fonte do governo.

Segundo apurou o Estado, a estratégia de cancelamento do leilão visa a evitar adicionar maior distorção de preços no cenário atual de estresse elevado no mercado de juros, quando os investidores pressionam as taxas no mercado futuro, consideradas "salgadas" demais pela área econômica do governo. Um leilão de venda de títulos nesse quadro poderia acabar alimentando a alta das taxas. O Tesouro tem tentando evitar, com essa estratégia, sancionar com a venda dos papéis o movimento de elevação.

Saída. O momento agora, segundo fontes, é de pausa e "ir se moldando" ao quadro atual de maior turbulência. Por isso, a opção pelo cancelamento do leilão e pela oferta na segunda e terça-feira passada de leilões de recompra de títulos. Os leilões funcionam com uma espécie de "porta de saída" para os investidores que querem se desfazer dos papéis. O entendimento do governo com os leilões é que essa ação ajuda a normalizar o mercado.

O Tesouro aceitou comprar papéis de curto prazo, o que, segundo fontes, sinaliza que é "ali" que se concentra a pressão maior do mercado. A demanda dos investidores por papéis de vencimento mais longo continua. A última vez que o Tesouro cancelou um leilão tradicional foi em 27 de junho do ano passado, em meio às turbulências por conta das incertezas em torno da ação de política monetária do Fed (o banco central americano). Na época, BC e Tesouro agiram em conjunto para afastar a volatilidade nos mercados de câmbio e juros.

Infundada. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou ontem que, no momento, há muita especulação no País, que se mostra "infundada". Segundo ele, houve uma redução da pressão do mercado com ação de ontem do Tesouro. "O mercado está mais calmo", afirmou. "Basta ver a flutuação do câmbio. Houve uma revalorização de várias moedas em relação ao dólar, então eu vejo uma situação mais tranquila", disse.

Na semana passada, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, assegurou que a situação de caixa segue confortável com o colchão de liquidez que o governo tem para ficar fora do mercado nos seus leilões tradicionais em momentos de turbulência.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.