Tesouro tem o pior resultado em 18 meses

Abalada pela retração da atividade, economia para pagar juros foi de apenas R$ 1,8 bilhão

EDUARDO CUCOLO, ANNE WARTH / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2012 | 03h06

As contas do governo federal registraram em maio o pior resultado em 18 meses. A economia para pagamento de juros da dívida somou apenas R$ 1,8 bilhão. De acordo com o Tesouro Nacional, as receitas tiveram forte queda por causa da desaceleração da economia. As despesas também caíram, mas em ritmo menor.

Apesar do resultado fraco do mês de maio, o governo cumpriu nos cinco primeiros meses do ano 48% da meta fiscal prevista para 2012. E avalia que é possível aumentar os investimentos, que seguem praticamente no mesmo nível de 2011, e dar novos incentivos à economia sem mudar a meta para o ano.

Embora parte da equipe econômica defenda a redução da meta para 2012, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, afirmou que a manutenção desse objetivo é importante para que o Banco Central possa reduzir a taxa básica de juros, pois o superávit primário forte abre espaço para a política monetária.

"O governo decidiu aproveitar esse momento para que o Brasil tenha uma política monetária diferente, com spreads diferentes", afirmou.

Segundo o secretário, o resultado do ano dá tranquilidade ao governo para alcançar a meta de R$ 99,7 bilhões, embora a economia esteja apenas 3% acima do verificado no mesmo período de 2011. Ele afirmou que as receitas do governo não tiveram crescimento forte no primeiro semestre em decorrência da crise financeira internacional. Disse esperar, no entanto, resultados melhores no segundo semestre.

O resultado do mês passado só não foi pior porque as estatais contribuíram com R$ 2,7 bilhões em dividendos, o que compensou parcialmente a queda das receitas com tributos.

Apesar do otimismo do governo, alguns analistas avaliam que ficou mais difícil cumprir a meta deste ano. Para a MCM Consultores Associados, por exemplo, o governo não vai alcançar esse objetivo e terá de utilizar o mecanismo que permite abater da meta parte dos investimentos.

Fraqueza. Ao destacar novamente que o Brasil apresenta situação fiscal bem mais tranquila que a maioria dos países desenvolvidos, Augustin afirmou, porém, que não há recursos para bancar o aumento de gastos decorrentes de propostas que estão no Congresso.

"O governo não vê espaço fiscal para mudança em um momento em que os países, de forma geral, têm uma situação fiscal muito delicada. Não seria positivo para o Brasil, neste momento, mostrar sinais de fraqueza fiscal", disse.

Augustin afirma que o governo não apoia essas mudanças e avalia contar com a compreensão de muitos parlamentares nesse sentido. Entre as mudanças, estão o fim do fator previdenciário e do teto para o salário dos servidores.

Em relação aos gastos, ele afirmou que o pacote de incentivos anunciado ontem foca o investimento e não impede o cumprimento da meta. "São medidas para fazer com que a economia reaja ainda neste ano".

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