Teste de estresse causa especulação com o euro

Resultado só sai na sexta-feira, mas políticos e bancos europeus já comemoram resultado que indica capacidade de bancos de resistir a nova crise

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2010 | 00h00

A expectativa dos resultados do teste de estresse com os 91 maiores bancos europeus e as dúvidas em relação à credibilidade do exercício afetam o euro e geram uma tensão no mercado diante de especulações em relação à situação real do sistema financeiro europeu.

Para analistas, o resultado do pode ser uma oportunidade para o mercado recalibrar o euro, depois de moeda atingir seu ponto mais alto em dez semanas.

Na sexta-feira a União Europeia divulga o resultado do teste para determinar se o setor bancário europeu está pronto para resistir a uma nova crise.

Hoje, em Frankfurt, reguladores e presidentes de bancos centrais e dirigentes dos maiores bancos europeus se reúnem com o Banco Central Europeu para debater os resultados do teste, antes que se tornem públicos na sexta-feira.

Mas se os resultados ainda são secretos, a especulação atingiu seu ponto alto ontem. O mercado levantou dúvidas sobre a capacidade do euro de se manter acima de US$ 1,30 depois dos testes e eventuais amostras de fraqueza do sistema. O resultado foi uma corrida para garantir proteção antes da suposta queda.

Em julho, o euro recuperou 5% de seu valor diante do dólar, graças aos sinais de que a crise europeia estava dando sinais de terminar. Mas a proximidade dos resultados dos testes reverteu o cenário ontem. Depois de atingir sua maior alta em dez semanas, a moeda única europeia voltou a cair. No final do dia, recuperou em parte da queda. De US$ 1,18 no início de junho, o euro chegou a US$ 1,30.

Correção. Agora, analistas apontam que o teste de estresse seria uma chance - e até uma desculpa - para promover uma nova correção do euro, seja qual for o resultado. No início da tarde nos EUA, o euro já estava a US$ 1,29.

Políticos europeus e associações de bancos se apressavam ontem para garantir que a grande maioria das instituições financeiras foi bem no teste. A ministra da Economia da Espanha, Elena Salgado, foi uma das que garantiu que todos os bancos espanhóis foram bem. Na Grécia e Irlanda, políticos e bancos estão ávidos em mostrar que os problemas foram superados.

A Associação Alemã de Bancos Públicos indicou ontem que não deve ter nenhum banco sendo reprovado entre os seus membros. Os três grandes bancos comerciais alemães - Deutsche Bank, Commerzbank e o Deutsch Postbank - não devem ter problemas. "Nós passamos no teste", garantiu o Postbank.

Autoridades da Bélgica, Reino Unido e Polônia também mostraram confiança em relação ao resultado de seus bancos.

Reprovado. Fontes da União Europeia confirmam que o banco alemão Hypo Real Estate não teria passado no teste e que precisaria de 2 bilhões.

A instituição foi salva com um pacote de 100 bilhões e seria uma prova de que, se os grandes bancos começaram a se recuperar, as instituições regionais e locais, além das Caixas de Poupança, ainda podem ter problemas.

Ironicamente, a comemoração dos políticos levantou dúvidas sobre a seriedade e credibilidade do teste, principalmente diante dos comentários quase eufóricos de políticos antes mesmo do anúncio do resultado.

O mercado alertava ontem que alguns dos seis bancos europeus, 14 alemães e 27 espanhóis teriam de fracassar no teste, inclusive para dar credibilidade ao processo.

PARA ENTENDER

O teste de estresse é um diagnóstico feito para medir a capacidade das instituições financeiras de manter o fluxo de crédito caso a crise piore. O governo dos Estados Unidos testou suas instituições no primeiro semestre do ano passado. Dez dos 19 bancos avaliados foram obrigados a incrementar sua capitalização para sobreviver a futuras crises.

Na Europa, o Fundo Monetário Internacional (FMI) já indicou que o continente não deve ter problemas. Segundo o Credit Suisse, só os bancos regionais alemães podem precisar capitalização de US$ 40 bilhões. Para analistas do Barclays, bancos espanhóis precisarão de 36 bilhões e os gregos, de 8,6 bilhões.

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