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Teste de nervos para estreantes

Investidor resiste à tentação e fica na Bolsa

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2018 | 00h00

O analista Fábio Mitio seguiu direitinho a cartilha dos administradores de investimentos e resistiu ao teste de nervos do mercado acionário na semana passada. Ao contrário de muitos outros investidores, que se desesperaram com a sangria da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), ele preferiu manter suas aplicações. "Não compensa vender os papéis agora. O prejuízo seria maior", afirma ele, que estreou na Bolsa paulista há nove meses.Apesar de não estar desesperado com as perdas, ele diz que passou os últimos dias dividindo as atenções entre o trabalho e um site de informações financeiras na internet. "Costumava verificar as cotações, mas agora, com essa crise, presto mais atenção ao movimento do mercado." Mitio diz que entrou na Bovespa sabendo que era um investimento de longo prazo, mas pretendia resgatar o valor logo para trocar de carro ou quitar o apartamento. Os planos mudaram. Ele acredita, no entanto, que o mercado vai reagir e os papéis voltarão a se valorizar. Além disso, o analista confia nas empresas que escolheu para comprar as ações, como Unibanco e Itaú. "São companhias consolidadas. Mesmo que a crise atinja a economia (real) do País, acredito que essas empresas terão maior capacidade de se recuperar." Conforme pregam os analistas de investimentos, Mitio diversifica as aplicações. Tem dinheiro tanto na renda variável como na renda fixa.A publicitária Maria Eulália Moraes, de 46 anos, seguiu um caminho um pouco diferente do de Mitio. Na primeira semana de agosto, correu para resgatar parte de suas aplicações na Bovespa. As notícias sobre a crise no mercado americano - que apenas ensaiava seus primeiros passos naqueles dias - fizeram a investidora tirar metade do capital que tinha na Bolsa e reaplicá-lo no fundo de renda fixa do banco. "Quis tirar tudo, mas o prejuízo seria grande demais", afirma ela, que há um ano iniciou suas aplicações no mercado de ações.No caso de Maria Eulália, o medo de perder dinheiro - natural a qualquer investidor novato - tinha uma agravante. Há cerca de dois meses, ela colocou 100% do patrimônio nas ações da Bovespa. "Estava empolgada. Em um ano, a rentabilidade da minha carteira chegou a 43%." Hoje, porém, admite que foi precipitada. "Se tivesse mantido os 100%, teria enfartado nos últimos dias." Em agosto de 2006, a publicitária deixou o emprego em uma grande empresa para se lançar no mercado de ações. "Hoje, minha profissão é investidora", diz ela, que aplicou na Bolsa o capital depositado em fundos de renda fixa ao longo de 20 anos de trabalho. Foi motivada pelo desempenho da Bovespa e pela vontade de atingir o primeiro milhão. "Devo continuar operando, mas com mais cautela."

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