Teste mostra instabilidade do 4G para celular em SP

O Link testou a transmissão de dados em alta velocidade das três operadoras que oferecem o serviço na capital paulista; sinal é irregular e muitas vezes não corresponde ao que é mostrado em mapas nos sites das empresas de telefonia

Camilo Rocha, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2013 | 02h06

A rede 4G para celulares na cidade de São Paulo é marcada por inconstância e grandes oscilações de sinal. O 'Link' testou o serviço em pontos diferentes da capital paulista e comprovou a irregularidade da transmissão. Ao mesmo tempo, nos locais onde o sinal era forte o suficiente, a velocidade é excelente e permite ao usuário aproveitar os benefícios da transmissão de dados ultrarrápida, subindo vídeos para o Facebook ou baixando arquivos pesados em poucos segundos.

O teste foi feito com as três operadoras que oferecem o serviço em São Paulo: Claro, Vivo e Tim. As duas primeiras enviaram chips 4G para o Link utilizar no teste. A Tim se negou a mandar um chip, alegando que a operadora "não tem oferta específica para o 4G" e que ele "seria um bônus do plano Liberty Web 600 Mb."

A reportagem foi então a uma franquia Tim e comprou um chip Liberty Web 600 Mb para o teste. Na loja, foi possível observar a presença de diversos materiais fazendo publicidade do 4G, muitos com a menção específica "embarque no Liberty com o 4G".

O teste foi feito em dez pontos da cidade, incluindo bairros das regiões norte, sul, leste, oeste e o centro. Os locais foram escolhidos usando os mapas de sinal 4G disponíveis nos sites das operadoras - vale ressaltar que a informação não é encontrada facilmente em nenhum dos três sites, exigindo que o usuário passe por várias etapas até chegar aos mapas.

Para medir o sinal e as taxas de download e upload (que são parâmetros para determinar a velocidade de uma conexão de dados) foi utilizado o aplicativo brasileiro CrowdMobi, indicado pela Associação de Consumidores Proteste.

Outro parâmetro usado foi a indicação de sinal no próprio aparelho celular. Foram usados dois smartphones Samsung Galaxy S4 e um aparelho Sony Xperia Z Ultra.

Conexão. Em diversos pontos a reportagem realizou tarefas como chamadas de vídeo por Skype, upload de fotos para redes sociais como Instagram e Facebook, acesso a sites que têm carregamento lento no 3G e download de arquivos de cerca de 100 MB. Quando o sinal da rede estava bom, as tarefas eram realizadas em poucos segundos (veja tabela acima comparando o tempo das operações nos celulares 3G e 4G).

Segundo pesquisa de fevereiro do Simet (Sistema de Medição de Tráfego Internet), ligado ao Comitê Gestor da Internet, a velocidade média do 3G brasileiro fica abaixo da taxa de download de 1 megabit por segundo (Mbps) prometida pelas operadoras. Já a velocidade de download de referência da rede 4G, segundo as operadoras, fica entre 5 Mbps e 10 Mbps.

Das dez localidades aferidas pela reportagem, a TIM só chegou perto dessa taxa em dois locais: na Vila Madalena e na Avenida Faria Lima. A Vivo também só conseguiu uma taxa satisfatória na Vila Olímpia. A Claro teve o melhor resultado, mostrando velocidades entre 8 Mbps e 9,84 Mbps em sete pontos da cidade.

A Vivo e a TIM não registraram sinal algum em dois dos pontos avaliados. A primeira ficou sem sinal na frente do Aeroporto de Congonhas e, a segunda, no bairro da Vila Olímpia, na área da Rua Funchal.

Por e-mail, a assessoria da Vivo esclareceu que "não existe impedimento para acesso ao serviço em Congonhas, excetuando-se falhas ocasionais."

A TIM, por sua vez, declarou que "a região da Vila Olímpia possui cobertura 4G", mas que "cabe ressaltar que a disponibilidade do serviço está diretamente ligada à distância que o usuário se encontra da Estação Rádio Base".

Em duas ocasiões, o sinal da Claro apareceu como 3G+ (intermediário entre o 3G e o 4G) em locais apontados no seu mapa como 4G: em Congonhas e na Vila Olímpia. A operadora confirma que possui rede 4G nesses locais, mas que ela "está sujeita a oscilações que podem ter interferido no resultado".

Novidade. O 4G ainda é uma rede pouco utilizada em São Paulo. Sua implementação é muito recente e nenhuma operadora oferece ampla cobertura na cidade. São apenas 44,4 mil assinantes na área do código 011, segundo dados de julho da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Além disso, os aparelhos de celular que podem acessar a rede de quarta geração, como o Galaxy S4 e o LG Optimus G, estão quase todos na faixa mais cara de preço, ou seja, acima dos R$ 1.500.

A consultoria 4G Americas estima que em dezembro de 2017 o LTE, nome técnico do que se conhece por 4G, ainda estará presente em apenas 7% dos aparelhos móveis da América Latina. Em dezembro de 2012, a rede tinha 0% do total.

A Anatel previu em abril que o Brasil finalizaria o ano com 4 milhões de usuário da rede 4G. A previsão foi considerada "irrealista" pelo presidente da consultoria de telecomunicações Teleco, Eduardo Tude, que estimou o número de usuários até o fim de 2013 em apenas 1 milhão.

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