Teste mostrará que bancos espanhóis precisam de até 60 bi de euros

Um teste de estresse independente do setor bancário espanhol provavelmente revelará necessidades de capital no valor de 50 bilhões a 60 bilhões de euros, disseram o segundo maior banco do país e o governo nesta quinta-feira.

JESÚS AGUADO E JULIEN TOYER, Reuters

20 de setembro de 2012 | 15h26

A Espanha tornou-se o mais recente ponto focal da crise de dívida da zona do euro neste ano, após ficar claro que seus bancos necessitam de apoio financeiro para eliminar cerca de 185 bilhões de euros em ativos imobiliários tóxicos de seus portfólios.

Fontes disseram à Reuters que o Banco da Espanha começou a comunicar aos bancos os resultados do teste de estresse nesta quinta-feira, e que todas as instituições financeiras do país serão informadas até segunda-feira.

O mais recente dado, que segue na linha das estimativas preliminares publicadas em junho, será utilizado para determinar que fração da linha de crédito de 100 bilhões de euros da zona do euro disponível à Espanha é necessária para recapitalizar seus bancos.

Os resultados dos testes serão publicados em 28 de setembro.

O país, que buscou auxílio do bloco monetário para seus bancos em junho, está hesitando em solicitar um programa de ajuda que poderia catalisar um programa de compra de bônus do Banco Central Europeu (BCE).

"Nós vamos saber nos próximos dias, em até uma semana. Nós vamos obter um valor por volta de 70 bilhões, 75 bilhões ou 80 bilhões de euros", disse o presidente do conselho administrativo do banco espanhol BBVA, Francisco González, em um evento em Madri.

González explicou que o valor de 80 bilhões de euros inclui cerca de 20 bilhões de euros já alocados a bancos endividados, o que significa que o montante final seria de entre 50 bilhões de euros e 60 bilhões de euros.

Uma porta-voz do ministério da Economia do país disse que o dado confirmaria as expectativas do ministro da Economia, Luis de Guindos, embora tenha adicionado que a Espanha buscará um valor menor dos fundos da União Europeia.

Ela explicou que o montante final será reduzido porque alguns credores buscariam capital por si só no mercado, detentores de instrumentos híbridos de capital terão de assumir um deságio em seus respectivos investimentos, e ativos seriam transferidos para o chamado "banco ruim", que está sendo montado pelo governo e em que instituições financeiras com problemas colocariam seus ativos imobiliários tóxicos para depois vendê-los.

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