Testes da Peugeot comprovam eficiência do biodiesel brasileiro

Testes feitos pela PSA Peugeot Citroën e pelo Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas (Ladetel) da Universidade de São Paulo (USP) comprovaram a eficiência do B30, mistura de 30% de biodiesel de soja (que também leva álcool em sua formulação) ao diesel de petróleo. Os resultados, apresentados nesta sexta-feira em Ribeirão Preto (SP), apontam que os motores com mistura B30 tiveram desempenhos de torque e potência inalterados em comparação aos que utilizaram apenas o diesel de petróleo. Hoje a mistura padrão no Brasil é de 2% de biodiesel ao diesel. O aumento no consumo com o B30 foi de, no máximo, 2%, mas houve queda de até 4% em baixas rotações do motor. A redução de fumaça poluente foi em média de 16%, a emissão de partículas foi 23% menor com o uso do biodiesel de soja e a de monóxido de carbono caiu 11% em comparação ao uso do diesel. Os testes de bancada foram feitos no Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec), em Curitiba (SP). Já os testes mecânicos, com o uso de um Peugeot 206, e um Citroën Xsara Picasso, ambos movidos a diesel, foram centralizados no Ladetel, em Ribeirão Preto. Os pesquisadores rodaram 180 mil quilômetros, com avaliações a cada 20 mil quilômetros. "Não houve incidentes com o motor, alteração no sistema de injeção e quaisquer mudanças no desempenho e na dirigibilidade com os veículos", afirmou Marc Bocqué, diretor de Comunicação, Inovação Tecnológica e Meio Ambiente da PSA. Os dois veículos seguem agora para a França, onde serão novamente analisados. O coordenador do Ladetel, Miguel Dabdoub, comemorou o resultado das pesquisas e afirmou "que o consumidor pode confirmar na mistura B30", além de cobrar continuidade da parceria, que está inserida no Programa Nacional de Biodiesel do governo federal. "Se não houver continuidade de governo, tem de haver continuidade nessa política", disse Dabdoub, sobre uma possível vitória de Geraldo Alckmin (PSDB) nas eleições presidenciais. Segunda faseAlém do término da primeira fase da pesquisa, a PSA Peugeot Citroën anunciou nesta sexta o início da segunda fase de testes com a mistura B30. A nova fase vai incluir o combustível feito a partir da mamona e de dendê (palma), pesquisa inédita no mundo, no processo de produção que também levará o etanol de cana-de-açúcar. Além da mistura pura B30 ainda nos veículos, haverá ainda um mix com B22.5 de soja e B7.5 de mamona em teste. Serão integrados ainda à frota de testes do Ladetel/USP dois Peugeot Partner e dois Citroën Berlingo, ambos utilitários leves com uso para o transporte de pequenas cargas ou grupos de pessoas. O projeto terá ainda o caráter social, já que os novos veículos serão utilizados pelo Grupo de Apoio à Criança com Câncer (GACC) e pelo Grupo de Apoio ao Transplantado de Medula Óssea (GATMO). O diretor-geral da PSA Peugeot Citroën no Brasil, Pierre Michel Fauconnier, sinalizou que a montadora aposta no fim da proibição no Brasil, no futuro, do uso motores a diesel em carros de passeio. Por isso, segundo ele, foram utilizados na primeira fase de testes um 206 e um Picasso. Já o coordenador da Comissão Executiva Interministerial do Biodiesel, Rodrigo Rodrigues, aposta que os testes já feitos, bem como os a serem feitos com mamona e palma "resultem para o Brasil, num futuro, na revisão das restrições passadas (no caso dos motores) e na antecipação das metas futuras do biodiesel", disse.

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