Testes de estresse na Europa ignoram dois parâmetros fundamentais

Diagnósticos são considerados rigorosos, mas não incluem calote de dívida soberana, nem avaliam se os bancos possuem colchões de liquidez suficientemente grandes  

Danielle Chaves, da Agência Estado,

23 de julho de 2010 | 11h52

Os reguladores da União Europeia estão se esforçando para enfatizar a natureza rigorosa dos testes de estresse dos bancos destinados a aumentar a confiança no setor bancário europeu, em meio a preocupações com a exposição das instituições a dívida soberana. No entanto, os testes ignoram dois parâmetros fundamentais.

O supervisores dizem que os testes são mais duros, em termos de hipóteses para crescimento econômico, do que os realizados por autoridades dos EUA no início de 2009, que concluíram que 10 dos 19 bancos analisados precisavam de US$ 75 bilhões em capital extra.

Mas os testes europeus não incluem um default de dívida soberana, mesmo depois de os mercados financeiros terem virado um caos em maio, quando os investidores começaram a prever que a Grécia e talvez outros países endividados da zona do euro poderiam declarar default ou ter de reestruturar sua dívida.

Além disso, os testes europeus não testam se os bancos possuem colchões de liquidez suficientemente grandes ou conjuntos de ativos fáceis de serem vendidos, o que garantiria que eles podem cumprir obrigações futuras e financiar suas atividades em andamento. Modelos de financiamento pobres foram a principal causa do fracasso de algumas instituições financeiras durante a crise global.

O Comitê dos Supervisores Bancários Europeus (CEBS, na sigla em inglês) coordenou os testes de estresse com 91 bancos da Europa, que representam 65% dos ativos bancários da região. As informações são da Dow Jones.

 
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