Tânia Rego/ Agência Brasil
Tânia Rego/ Agência Brasil

Texto da reforma da Previdência deve sair nas próximas semanas, diz membro da equipe de transição

Economista Carlos Alexandre da Costa, que participa da equipe de transição, também afirmou que muitas estatais não têm valor e devem fechar

Marcelo Osakabe e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2018 | 17h10

O economista Carlos Alexandre da Costa, que participa da equipe de transição do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), declarou que o próximo governo deve apresentar um projeto para a Previdência nas próximas semanas e reiterou que será um projeto próprio, construído com a colaboração de outros já existentes.

"A proposta sobre Previdência será nossa, da nossa equipe", disse Costa a jornalistas após participar do Macro Day BTG Pactual, lembrando que o grupo conta com a participação de especialistas no tema, como os irmãos Abraham e Arthur Weintraub. "Óbvio que não vamos começar do zero, tem muita coisa que a gente vai incorporar. O trabalho do governo vai ser o de articular as melhores propostas que sejam viáveis politicamente."

Em relação ao cronograma, o ex-diretor do BNDES não quis ser mais específico. "Não é só desenhar a proposta econômica, mas também entender com profundidade viabilidade política."

Privatizações

O economista disse que a privatização é uma das prioridades do próximo governo e que seu andamento vai ajudar a reduzir o montante da dívida e, por consequência, a taxa de juros de longo prazo.

A privatização também deve ajudar a melhorar o quadro da produtividade, defendeu. Segundo ele, além de serem antigas, as estatais estão drenando a produtividade do País. "Uma vez as empresas privadas cuidando de setores que inclusive são estratégicos para a nossa economia, vamos ver a produtividade deslanchar."

Ele não deu detalhes sobre o programa de privatizações que o novo governo deve por em prática no próximo ano, mas salientou que o objetivo é trazer mais eficiência para a economia.

"Empresa estatal é muito ineficiente. Tem muitas que não têm valor e têm que fechar", disse Costa.

Sobre o cenário externo, o ex-diretor do BNDES disse que, se houver uma crise internacional sem mudanças estruturais no Brasil, haveria uma fuga do risco dos investidores estrangeiros. Mas se a agenda avançar, o próprio perfil do investidor que aporta recursos aqui também muda, e assim a economia brasileira seria menos afetada por uma piora do quadro externo.

O economista comentou ainda que o governo do PT criou entraves para o desenvolvimento do ambiente de negócios. "Agora estamos trazendo um ciclo liberal", disse durante o evento. "O Estado tem que garantir segurança jurídica", disse ele, ressaltando que hoje o Estado gera mais insegurança jurídica aos investidores.

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