Texto dúbio gera polêmica sobre meta fiscal

Em meio aos riscos cada vez maiores de que o governo não conseguirá cumprir a meta deste ano de superávit primário das contas públicas, a decisão do Banco Central de mudar o tom na parte do Relatório de Inflação que trata da política fiscal acabou gerando polêmica ontem no mercado financeiro. A interpretação foi a de que o BC estaria menos enfático em relação ao cumprimento da meta, abrindo espaço para uma flexibilização da política fiscal mais à frente.

O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2012 | 03h06

Além de admitir que a política fiscal em 2012 está "ligeiramente" expansionista, o BC tirou do Relatório a palavra "cumprimento" da meta de superávit primário neste ano. No documento, o BC afirma que levou em consideração, nas suas projeções para a inflação, a geração de um superávit primário "em torno" 3,1% do PIB este ano. Antes, o BC usava como hipótese a meta em valores nominais, que é de R$ 139,8 bilhões.

Na entrevista para explicar o Relatório, o diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton, chegou a falar numa meta em torno de 3%. Depois se corrigiu e explicou que o BC trabalha nas suas projeções de inflação com uma hipótese de superávit como proporção do PIB e não em termos nominais. A mudança no texto, segundo ele, teria sido feita para facilitar a comunicação.

Mais tarde, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, negou mudanças na meta fiscal. Segundo ele, o governo persegue a meta em valores nominais, porque é o que determina a Lei de Diretrizes Orçamentárias./R.V.

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