TGV ainda não fez depósito para compra da Varig

Até às 11 horas, prazo estipulado pela Justiça, os Trabalhadores do Grupo Varig (TGV) ainda não depositaram os US$ 75 milhões referentes ao sinal que teria de ser feito hoje para a concretização da oferta pela Varig, feita no leilão realizado no dia 8 de junho. Caso não faça o depósito, o TGV terá de pagar uma multa de 20% do valor do seu lance, de US$ 449 milhões. Além disso, a comissão de juízes responsável pela recuperação judicial da Varig vai anular o leilão. O juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8ª Vara Empresarial responsável pelo processo de recuperação judicial da Varig, dará uma entrevista coletiva hoje às 18 horas sobre o desfecho do leilão de venda da companhia. Três alternativas são possíveis: falência definitiva, um novo leilão ou a convocação de assembléia de credores para avaliar a oferta de US$ 500 milhões apresentada pela VarigLog à Justiça, na terça-feira. Representantes do TGV, que já admitiram não conseguir os recursos, levantaram ontem a possibilidade de, na última hora, pedir adiamento de prazo. Eles alegam ainda estar negociando a obtenção do dinheiro. Além disso, para a organização, o prazo vence às 18 horas, sete horas depois do horário estipulado pela Justiça.O depósito é vital para a Varig sensibilizar a Justiça americana a prorrogar uma liminar que protege a empresa contra o arresto de aviões. O juiz Robert Drain, da Corte de Falências de Nova York, estendeu a decisão até 21 de julho, condicionada à entrada de dinheiro hoje. "Acredito que uma empresa que fez proposta em leilão tenha noção de sua responsabilidade. Se isso não acontecer, irá me assustar muito", disse o reestruturador da Varig, Marcelo Gomes.Oferta da VarigLogA oferta da VarigLog pela ex-controladora, relata uma fonte da ex-subsidiária da Varig, também está condicionada à aprovação, pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), da aquisição da empresa pela Volo do Brasil, negócio fechado em dezembro do ano passado. Ontem, o presidente da agência, Milton Zuanazzi, disse que as duas negociações são independentes e uma eventual formalização da oferta da VarigLog pela Varig não é inválida.A Volo do Brasil, que tem como principal acionista o fundo americano Matlin Patterson, alega, no entanto, que sem a oficialização da compra da VarigLog - que, por sua vez, compraria a Varig - não há garantias do controle do fundo sobre a holding.Antes de a Justiça do Rio definir qual será a solução para a Varig, o administrador judicial da companhia, a consultoria Deloitte, e o Ministério Público do Rio terão de analisar as conseqüências do cancelamento do leilão. O interesse da VarigLog é pela operação integral da companhia. Da oferta total, US$ 20 milhões podem ser depositados imediatamente.Fonte da VarigLog conta que, caso a decisão seja por um novo leilão, que eventualmente seja vencido por outro investidor, o ganhador terá de reembolsar a VarigLog. A idéia é a Volo do Brasil ficar com 90% da companhia e os trabalhadores com 5%. Os restantes 5% ficariam com a antiga Varig (com o passivo de R$ 7 bilhões), como forma de utilizar a participação acionária para saldar, gradualmente, o débito.

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