TGV entrou ontem com agravo contra leilão da Varig

Os Trabalhadores do Grupo Varig (TGV) entraram ontem à noite com um agravo na Justiça do Rio de Janeiro para suspender o leilão de venda da Varig, que deve acontece hoje no hangar da companhia aérea. A medida, porém, ainda não foi julgada, e os preparativos para o leilão prosseguem. O leilão, marcado anteriormente para as 10 horas, foi prorrogado para as 11 horas, mas, às 11h22, ainda não começou.De acordo com fontes, quatro investidores já se pré-qualificaram para participar do leilão da companhia áerea. De acordo com a empresa aérea, calcula-se que 1.300 pessoas estão no hangar do aeroporto Santos Dumont, sendo que 220 são representantes de investidores que estão na área VIP.O investidor poderá fazer ofertas para a parte doméstica da empresa (preço mínimo de US$ 700 milhões) ou por toda a companhia (preço mínimo de US$ 860 milhões). O presidente da Varig, Marcelo Bottini disse que ao longo dos próximos 60 dias será negociado um modelo de transição dos funcionários da Varig para a nova empresa que será criada após o leilão. O desenho será estudado com os sindicatos e com o novo dono da Varig que sairá do leilão."É uma grande vitória ter trazido a empresa até aqui com segurança, e atendendo ao público. A partir de hoje vamos ver quem será o nosso novo dono para desenvolver a nova Varig", disse Marcelo Bottini ao entrar no hangar da Varig. Possíveis compradoresSem dinheiro em caixa, a empresa depende do sucesso do leilão, marcado pela Justiça, para escapar da falência. Segundo pessoas envolvidas com o negócio, a companhia aérea OceanAir aparece como favorita. Seu dono, o empresário German Efromovich, negociou intensamente nos últimos dias com autoridades do governo e da Justiça garantias para entrar no leilão sem correr o risco de herdar dívidas da Varig.Correm por fora o fundo de investimento Matlin Patterson, que comprou a VarigLog (empresa de logística da Varig), e um fundo canadense, que estaria sendo representado pelo escritório de advocacia Ulhôa Canto, Rezende e Guerra.Mas num negócio cercado de questionamentos e dúvidas, feito às pressas para evitar a falência da empresa, nenhum dos envolvidos apostava ontem em um desfecho. Surgiram especulações de todo o tipo, desde que nenhum candidato se sentiria seguro a participar do leilão, até o aparecimento de um investidor de última hora. Uma informação era dada como certa: dificilmente a Varig será vendida pelo preço pedido pela Justiça.O leilãoPelas normas do leilão, a Varig pode ser arrematada de duas formas. A primeira opção tem um preço mínimo de US$ 860 milhões e inclui rotas nacionais e internacionais. Ficam de fora as dívidas, e a área comercial, com as receitas do Programa Smiles e a venda de passagens. Na segunda opção, será vendida a Varig Regional, com as operações no Brasil. Não estão incluídas as dívidas, a parte internacional e o Smiles.As duas opções de venda prevêem que, se não aparecerem propostas na primeira rodada do leilão, não haverá preço mínimo na etapa seguinte.Na luta para viabilizar o leilão, a Varig obteve uma vitória às vésperas do leilão. Um parecer emitido pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ratificou a decisão judicial de não transferir ao comprador as dívidas fiscais da Varig, o que pode favorecer o clima de concorrência no leilão.A companhia portuguesa TAP, a empresa de reservas de passagens Amadeus, TAM e Gol estiveram no data room. Mas, segundo fontes, estariam inclinadas a desistir do leilão. Já o fundo americano Matlin Patterson não acessou o data room, mas pode fazer seu lance. Depois de comprar a VarigLog por US$ 48,2 milhões, em dezembro, o Matlin fez uma auditoria na companhia.Por meio da subsidiária Volo do Brasil, o Matlin chegou a oferecer US$ 350 milhões pela Varig. "Mais de 64% do faturamento da VarigLog vem da Varig. Ou o fundo fica esperando para ver o que vai acontecer ou entra para não deixar a VarigLog quebrar", diz uma fonte ligada à empresa.

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