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TGV não entrega documentação; destino da Varig segue indefinido

Os Trabalhadores do Grupo Varig (TGV) não entregaram a documentação solicitada pelo juiz da 8ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, Luiz Roberto Ayoub, que cuida do processo de recuperação judicial da Varig. O prazo vencia na tarde desta segunda-feira, às 14h. O advogado do TGV, Julio Barreto, que estava reunido com o juiz, na tarde de hoje, deu esta informação ao sair da sala de Ayoub.Na saída, informou apenas não ter entregue os documentos exigidos pela Justiça, contendo maiores explicações sobre a origem dos recursos que vão lastrear a proposta de US$ 449 milhões feita para a aquisição da Varig, em leilão na semana passada. Contudo, segundo Barreto, os documentos serão entregues ainda hoje.O TGV foi o único a formalizar uma proposta no leilão que aconteceu na quinta-feira no valor de US$ 449 milhões (R$ 1,010 bilhão), que é quase metade dos US$ 860 milhões avaliados pelos organizadores para a venda da Varig, como preço mínimo para a operação, incluindo operações internacionais e domésticas. Na primeira etapa do leilão, quando o valor mínimo deveria ser obedecido, nenhuma proposta foi apresentada. Na segunda etapa, sem preço mínimo, o TGV fez sua proposta.Possibilidade de falênciaCaso a proposta seja rejeitada pela Justiça, o TGV recorrerá da decisão. Mas, independentemente disso, se a proposta do TGV for rejeitada, a falência da Varig pode ser decretada - a não ser que surja uma terceira possibilidade.Fontes que acompanham o assunto analisam que o mais provável, no caso de rejeição da proposta, seria a decretação de uma "falência continuada", na qual a empresa continuaria operando precariamente, com venda dos ativos existentes até o fim das atividades ou até que surja, eventualmente, uma outra alternativa. Há, contudo, divergências sobre este assunto.A possível decretação da "falência continuada" foi levantada por pelo menos três executivos, dentro e fora da empresa. Daria mais tempo a credores, empregados e à própria empresa e seria menos traumática. Para um advogado, contudo, por ser uma concessionária de transporte aéreo a empresa poderia perder imediatamente seus direitos de vôo, no ato da decretação da falência, o que inviabilizaria a continuidade, ainda que precária, da atividade.Cancelamento de vôosEnquanto a situação da empresa segue indefinida, foram cancelados hoje nove vôos, segundo apurou a reportagem da Rádio Eldorado. Foram suspensas quatro pontes aéreas que partiriam do aeroporto de Congonhas. Do aeroporto de Guarulhos, em Cumbica, foram suspensos cinco vôos: Manaus (previsto para 11h), Recife (13h30), Salvador (12h10), e os internacionais para Buenos Aires (15h) e Los Angeles (23h50). Todos os outros vôos da companhia partiram com pelo menos 30 minutos de atraso. A empresa não explica o motivo do cancelamentos dos vôos, mas existe a suspeita de que seja falta de combustível. Já a Infraero esclareceu que todas os passageiros dos vôos cancelados foram recolocados em vôos de outras companhias. O cancelamento dos vôos da companhia aérea começou no final de semana. A Varig suspendeu quatro vôos internacionais: São Paulo-Miami; São Paulo-Nova York; São Paulo-Cidade do México e São Paulo-Santiago. Os quatro vôos internacionais cancelados no final de semana eram de aeronaves Boeing. Na última sexta-feira a Justiça de Nova York determinou que sete aviões da Boeing usados pela Varig, em sistema de leasing, poderiam ser retomados pela Boeing. Segundo a Anac, a Varig não vem informando os motivos dos cancelamentos. Em entrevista neste final de semana ao Estado, o presidente da Varig, Marcelo Bottini, disse que "não pode desacreditar" da proposta feita pela TGV e comentou que é preciso aguardar a decisão da Justiça.Informou, ainda, que já está negociado com a Boeing que a eventual devolução dos jatos alugados pela empresa seria apenas a partir de terça-feira. A decisão, contudo, poderá ficar para terça-feira, mesmo dia da audiência na Corte de Nova York que analisará pedidos de arresto de aviões da empresa brasileira. O fato é que a Boeing obteve na Justiça americana o direito de retomar sete aviões da Varig.

Agencia Estado,

12 de junho de 2006 | 15h02

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