TGV tenta definir hoje como pagar depósito inicial pela Varig

Membros do Trabalhadores do Grupo Varig (TGV) estão reunidos nesta sexta-feira com advogados e consultores financeiros da organização para definir uma posição sobre o depósito de US$ 75 milhões para a Varig, uma das condições do edital do leilão da companhia. Pelas regras do leilão judicial da Varig, assim que a proposta vencedora for homologada, o vencedor deve depositar essa quantia em até 72 horas.O TGV foi o único grupo que apresentou oferta pela Varig, de US$ 449 milhões (R$ 1,010 bilhão), no leilão realizado na quinta-feira da semana passada. A oferta do TGV foi homologada com condições pelo juiz Luiz Roberto Ayoub, que cuida da recuperação judicial da Varig. A principal exigência da Justiça fluminense é a comprovação da origem dos recursos. Ontem, o TGV entregou pela segunda vez esclarecimentos que não foram considerados suficientes pela comissão de juízes que supervisiona a reestruturação da Varig.Entretanto, confirmado o depósito da primeira parcela, a Nova Varig Participações, empresa formada pelo TGV para o leilão da companhia, teria mais tempo para definir de onde viriam os recursos restantes, da proposta de US$ 449 milhões. Contudo, os vencedores do leilão ainda têm de sugerir uma alternativa aos cerca de US$ 200 milhões em debêntures (títulos privados) não aceitos como forma de pagamento. O edital de venda da companhia não prevê o uso de debêntures e o TGV analisa o uso de "outra moeda".InvestidoresOs trabalhadores da Varig negociam com cinco investidores, mas dois estão com as conversações mais adiantadas, entre eles o ex-presidente da VarigLog, José Carlos Rocha Lima, da Syn Logística, que teria como um dos financiadores o fundo de investimentos Carlyle. O TGV deve se pronunciar ainda hoje sobre as negociações.Dados do site do fundo Carlyle dão conta de que trata-se de um fundo de investimentos, que atua nos ramos de energia, telecomunicações, serviços de tecnologia e negócios, varejo, automotivo, saúde, além dos ramos de defesa e aeroespacial. Outra fonte que acompanha o caso da Varig disse que o ex-presidente da VarigLog teria apresentado suposta carta de crédito de uma instituição financeira, para mostrar que teria recursos.Rocha Lima foi ex-presidente da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT). O executivo prestou depoimento, no fim do ano passado, à CPI dos Correios, defendendo-se de acusações de ter recebido R$ 50 mil, em 2002, da Skymaster (empresa suspeita de ter sido beneficiada em licitação da ECT).Ele confirmou ter recebido o dinheiro, mas alegou que foi pagamento por consultoria à Skycargas, subsidiária da Skymaster. Rocha Lima presidiu a ECT no início dos anos 90 e, entre 2001 e 2002 dirigiu a VarigLog, que cuidava da parte logística e de transporte de cargas da Varig.Além de Rocha Lima, a TAP ainda corre por fora. A companhia aérea portuguesa admitiu esta semana o interesse em participar de um novo leilão da Varig, caso a proposta da TGV seja rejeitada pela Justiça. O presidente da TAP chegou a se reunir com Ayoub na última quarta-feira para discutir a situação financeira da empresa.Pressão em Nova YorkOs US$ 75 milhões são cruciais para a Varig porque na próxima quarta-feira o juiz Robert Drain, da Corte de Nova York, vai exigir a garantia de que a Varig tem dinheiro para poder pagar as empresas que arrendam aviões para a companhia. Caso não haja essa comprovação, o juiz pode derrubar uma liminar que vem protegendo a Varig contra a perda de pelo menos 25 aeronaves, o que inviabilizaria, quase de imediato, sua operação internacional, já que destes, 23 são aviões de grande porte.A pressão vem de arrendadoras de aviões como a ILFC, Boeing, Central Air e Nissho Iwai. Segundo especialistas em aviação, o cancelamento sistemático de vôos que a Varig vem fazendo desde sábado é resultado, também, de uma estratégia da companhia para driblar arrestos de aviões. A Varig estaria substituindo aviões sob ameaça em solo americano por aeronaves que não correm o risco de serem arrestadas.Na semana passada, contam fontes que acompanham a crise da companhia, uma aeronave que estava prestes a decolar teve de retornar da cabeceira da pista porque o aparelho estava sendo pedido de volta pela Boeing. A saída foi pagar hospedagem para os passageiros que, no dia seguinte, pegaram outro vôo, desta vez em avião que não corria o risco de ser apreendido.

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