'The Economist' cria o índice da sinodependência

Revista britânica mede desempenho das empresas americanas que mais dependem do mercado chinês, para mostrar que há exagero na importância dada à China

Sílvio Guedes Crespo, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2010 | 00h00

Agora que o índice Big Mac já é pop e mundialmente conhecido, a revista britânica The Economist vem com mais uma inovação curiosa, que pode causar polêmica: o índice da sinodependência, uma tentativa de medir o desempenho das ações das empresas americanas que mais dependem do mercado chinês.

Anunciado na última edição da revista, o indicador seleciona 22 empresas do Índice S&P 500, um dos principais da Bolsa de Nova York. Para entrar no índice da sinodependência, a companhia precisa fazer parte do S&P 500, ter um certo nível de capitalização e ter também grande parte da receita proveniente da China. Fazem parte do indicador companhias como Intel e Qualcomm (fabricantes de chips), Yum! Brands (dona da marca KFC, entre outras), Boeing (aviões) e Corning (vidro).

O índice da sinodependência chegou a ter desempenho mais de 10% superior ao S&P 500 em 2009, mostrando que, naquele ano, as ações de empresas com grande dependência da China subiram mais. Lido de outro modo, poderia ser dito que, naquele período, investidores faziam boa avaliação do setor econômico que depende mais da China.

No entanto, em abril deste ano o S&P 500 alcançou o índice da sinodependência (o motivo, segundo a Economist, seria a nascente bolha imobiliária na China). Dito de outra forma, os investidores (que, ao comprar e vender ações, determinam o preço delas) acreditam que o segmento da economia dos EUA que mais depende do país asiático não está melhor do que o setor menos dependente.

China é indispensável? O indicador criado pela revista é apenas mais um argumento numa reportagem intitulada "[A CHINA]É uma economia indispensável?", que questiona a importância dada ao país asiático. "A China pode não importar tanto quanto você pensa", diz o subtítulo.

O país asiático, de fato, se tornou um grande importador do Brasil e da Austrália, entre outros. Porém, essas nações não dependem tanto das exportações. No Brasil, por exemplo, as vendas à China equivalem a apenas 1,2% do PIB (Produto Interno Bruto); na Austrália, a 3,4%. A China tem aumentado também as exportações, o que significa que muitos países que intensificaram o comércio com o país perderam saldo comercial.

Os argumentos da Economist não têm o objetivo de mostrar que a China não tem importância.

A revista apenas alerta que "não é impossível" ver análises que exageram o peso do país asiático no mundo.

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